Edinho Leite analisa vitória de Gabriel na França

Gabriel Medina (BRA) winner of the Quiksilver Pro france 2017, Hossegor , France
Gabriel Medina (Foto: Poullenot – WSL)

Gabriel, promessa cumprida

Com a excelente vitória de Gabriel Medina em Hossegor, França, o ranking e possibilidades de título foram redefinidos na 9ª etapa do circuito mundial de surf profissional da WSL 2017.

Que Gabriel poderia vencer essa etapa era uma aposta fácil. Afinal, desde 2011, ele só não esteve em uma das finais e agora acumula três vitórias nas ondas francesas. Deixando os números de lado, vamos aos fatos. Seu surf é completo para usar cada possibilidade daquelas ondas. Base lipe sólida, tubos quando aparecem e, claro, um arsenal de aéreos impressionante.

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Medina se encaixa perfeitamente às ondas do beachbreak francês. Aquele line upoferece picos distintos que vão mudando o lugar onde quebram a cada série por conta da ampla variação de maré. Gabriel é um dos surfistas mais irrequietos quanto a seu posicionamento dentro do mar. Seu poder de adaptação às condições é quase imbatível. Junte tudo isso ao fato dele ter um plano bem elaborado como tática e, voilà, ia para o outside para pegar a boa, depois escapava de uma briga por prioridade fazendo sua segunda onda mais no inside. Perfeito. Remava para um lado e, no meio do caminho, via a possibilidade de uma onda boa no outro lado da bancada e remava para lá, incansável. Deve ter deixado o diretor de imagem tonto.

Gabriel, mais uma vez, carregado nas areias, fofas (Charles que o diga), de Hossegor até o lugar mais alto do pódio.

Na semifinal, que mais parecia uma final, John John bem que tentou, mas, por conta de um tanto de ansiedade, tentando extrapolar manobras no começo da bateria, abriu espaço para Gabriel cumprir sua promessa. “Não estou nem pensando em ranking ou título. Só queria vencer. Havia prometido para mim mesmo que venceria ao menos uma etapa nesse ano e me sinto muito bem por ter feito isso”, declarou o campeão.

Sim, os aéreos de Medina sempre entram no cardápio, mas foram suas sapatadas de backside e senso apurado de colocação que o levaram a mais uma vitória em Hossegor.

Fora o baile de Gabriel vale destacar o desempenho de Miguel Pupo que, ao chegar nas quartas de final, depois de derrotar Adriano de Souza no Round 3 e ir direto para as quartas quando superou Owen Wright e Kolohe Andino no No Loosers (round 4), mantém suas possibilidades de reclassificação pelo CT para 2017. Ele subiu quatro posições e agora é o 27º colocado do ranking. Caio Ibelli também subiu e está entre os 22 primeiros do ranking que se reclassificam para o ano que vem, ocupando a 19ª colocação.

Portugal será uma etapa tensa para muita gente. Tomara que Filipe Toledo se recupere da lesão que o atrapalhou na etapa francesa e que, dessa vez, Super Tubos funcione com se espera.

Por Edinho Leite

Fonte serieaofundo.com