WSL: Formato ultrapassado deverá passar por mudanças

Gabriel Medina. Foto WSL

No último sábado (4), Dirk Ziff, dono da WSL, deu ao mundo do surf uma rara oportunidade de ouvir um pouco de suas ideias a respeito do momento do surf profissional e outras coisas mais. Além de dirigir-se diretamente a jornalistas que atacam “de maneira cínica” a organização, Ziff comentou sobre o atual sistema de disputa, que considera “confuso” e “ultrapassado”:

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O formato dos eventos ainda é confuso para novos fãs. Um surfista pode terminar em segundo lugar em três baterias diferentes ao longo da competição e ainda assim ser o segundo melhor surfista da etapa. Nós continuamos com um sistema ultrapassado para determinar os campeões mundiais, em que todos os eventos valem a mesma quantidade de pontos, e os pontos são simplesmente acumulados até que alguém tenha uma quantidade inatingível, independente do que aconteça. 

Com muita frequência isso resulta em cenários confusos no final da temporada. Muitas vezes desde que assumimos o comando, o campeão mundial estava sentado fora da água esperando alguém perder, e sequer era a última etapa do ano. É nesta hora que muitos fãs param de assistir.

Em 2016, quando John John venceu o título em Portugal, a audiência em Pipe caiu quase 50%. O título não estava em jogo. Isso não é um grande drama esportivo. Assim como nos finais emocionantes dos grandes esportes individuais, acredito que nossos campeões mundiais tenham que vencer o título dentro da água.

O esboço de um novo formato de disputa para o Circuito Mundial já havia sido divulgado, apesar de os planos de colocá-lo em prática a partir de 2019 já terem sido, aparentemente, adiados. Este formato incluía um evento final com os seis melhores surfistas do ranking, possivelmente em algum lugar na Indonésia. Ondas perfeitas, evento curto, emoção do início ao fim. O que nunca foi comentado era a possibilidade de se mudar o formato de disputa de cada evento antes dessa grande final.

O Surf Ranch Pro será disputado com um formato diferente, possibilitado pelo sistema de ondas artificiais da piscina de Kelly Slater. Algo parecido já havia acontecido na Founder’s Cup, em maio deste ano, com um formato que deixava a decisão do título e a possibilidade de uma virada em aberto até última onda de todo o campeonato, a grande apoteose competitiva que Ziff está buscando.

Os eventos ainda são mais longos do que a maioria das ondulações de qualidade, e vários dias sem campeonato são fatais para a audiência. Imagine um jogo de basquete que para no intervalo, e que irá continuar em algum momento ainda desconhecido nos próximos dias. Quantos fãs continuariam assistindo?“, questionou o chefe da WSL.

Dirk Ziff, o discreto dono da WSL (Foto: WSL/divulgação)

COBRANÇA DE TRANSMISSÃO É QUESTÃO DE TEMPO

Por fim, um novo formato que permita menor tempo de disputa e datas mais precisas culminaria com a venda dos direitos de transmissão e, muito provavelmente, a cobrança de uma tava para o público espectador. Embora todos na WSL afirmem que a cobrança pela transmissão online não está nos planos para os próximos anos, Ziff dá a entender que isso é apenas uma questão de tempo.

Esperar que o oceano proporcione condições instigantes tem sido um problema óbvio. Assim como a cultura do público gratuito. Fãs de outros esportes sabem que a transmissão começa às três da tarde de um sábado, não em algum momento dos próximos 12 dias quando o comissário convocar as baterias.

E os eventos acontecem em arenas e estádios com a exigência de ingressos. Se todas as competições começassem em uma hora completamente incerta e o público pudesse assistir de graça, quantas modalidades esportivas teriam sucesso hoje em dia?

Texto: Fernando Maluf
Imagem: WSL/Cestari

Fonte Hardcore