Waltão da Wally não resiste e falece em Fortaleza

Walter Pinheiro, o Waltão, com o microfone em punho, durante evento. Foto: Natinho Rodrigues/ Agência Diário

40 anos de mar: morre Walter Pinheiro, desbravador do surfe cearense
Shapper e surfista, Waltão foi um dos precursores do surfe no estado e montou a primeira fábrica de pranchas do Nordeste

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Alegre, enérgico, desbravador do surfe. É assim que Walter Pinheiro, o Waltão, é lembrado pelos amigos. O shaper e surfista morreu nesta segunda-feira (27), aos 59 anos. Após ser baleado durante o Carnaval, estava internado e não resistiu. O sepultamento ocorreu na manhã desta terça-feira (28). Em 2017, ele celebraria os 40 anos dedicados ao esporte em que foi um dos percursores no Brasil. Além disso, colaborava para o crescimento do esporte e ajudava atletas iniciantes. Silvana Lima, duas vezes vice-campeã mundial, foi uma das pupilas dele.
Um dos primeiros nomes a surgir no surfe cearense, na década de 80, Walter vivia o esporte e batalhava por ele. Ele criou a Nortão, nome de uma das primeiras equipes da modalidade no Ceará, ao lado do amigo Adalto Castro, numa época em que o esporte ainda era embrionário no Brasil.
– Era uma pessoa envolvida, dedicada ao surfe, com uma história sólida. Ele foi importante numa época difícil, em que o surfista era desrespeitado, sofria preconceito e, apesar de tudo isso, continuou surfando. Ele, com os amigos da Nortão, foram verdadeiros desbravadores – relembrou George Noronha, jornalista especializado em esportes radicais.

Com o tempo, nasceu a primeira fábrica de prancha do Nordeste e uma das pioneiras do Brasil, que herdou o nome da equipe, “Nortão”. Walter aprendeu com o amigo Adalto Castro a construir o equipamento.

– Ele era muito expansivo, autêntico, entrava de cabeça nas coisas. Era um pioneiro no surfe. Nós começamos juntos, éramos parceiros no trabalho, no surfe, na prancha… Ele era amigo dos amigos dele. Todo mundo gostava dele – relembrou o amigo.

Walter viveu a época embrionária do surfe no País. De lá para cá, o trabalho realizado ajudou no crescimento da modalidade. Foram 40 anos dedicados ao esporte que tem, entre os nomes fortes da modalidade, a cearense Silvana Lima, melhor surfista brasileira e duas vezes vice-campeã mundial, uma das pupilas de Waltão.

Silvana Lima disputa nos EUA etapa primordial em busca de vaga na elite do surfe m 2017 (Foto: Divulgação/WSL)                                                                                                                             Silvana Lima, que disputa o circuito mundial, é pupila do Waltão (Foto: Divulgação/WSL)

– Ele ajudou muita gente, patrocinou muitos atletas com pranchas. Era o modo de ajudar a fomentar o surfe. Eles foram os primeiros cearenses a desbravar o sul do Brasil. Participavam dos primeiros festivais de surfe do Rio de Janeiro, eles iam de carro do Ceará pra lá… Hoje, o Brasil tem dois campeões mundiais, como o Medina e o Adriano Souza. Eles ajudaram a pavimentar essa estrada que os brasileiros vêm trilhando tão bem – relembrou o jornalista.

Companheiro em aventuras do mar e do trabalho, Adalto Castro lembra um momento de descontração durante uma competição na Paraíba.

– A gente pela Paraíba, para um campeonato. E como a gente era mais experiente, tínhamos mais conhecimento, o organizador perguntava nossa opinião sobre o evento. A gente respondia: “A gente acha o que o Walter achar”. Walter ria bastante disso. Na equipe, nós tínhamos as brincadeiras de surfe, mas a molecada tinha muito respeito, apesar de ele ser brincalhão. Ele era o técnico, o gerente, o tio… – revelou Adalto.

George Noronha revela que ele e o amigo combinavam uma viagem comemorativa para celebrar os 40 anos de Waltão nas ondas do surfe.

– Esse ano eu estaria com ele em viagem. Estávamos combinando ir para o Havaí para celebrar os 40 anos dele no surfe. Seria a realização do sonho da vida dele, mas infelizmente não houve tempo – disse Noronha.

Walter Pinheiro, o Waltão, deixa a esposa, filhos e uma trajetória de dedicação ao surfe que segue gerando frutos no indo e vindo infinito.

Fonte globoesporte.globo.com