Vice-presidente da CBSurf apoia movimento dos surfistas

Crise! Mineirinho, Italo e outros seis mil surfistas exigem mudanças na CBSurf

Atletas fazem abaixo assinado por renovação na atual gestão da Confederação Brasileira de Surfe. Vice-presidente da CBSurf apoia movimento dos surfistas e quer renúncia de Adalvo Argolo

Na última quinta-feira, a ida da delegação brasileira para o Mundial da Isa no Japão foi cancelada horas antes do embarque pela Confederação Brasileira de Surfe (CBSurf).Os atletas, que já estavam de malas prontas, se revoltaram com a Confederação, e o mundo do surfe se movimentou com a causa. Um abaixo assinado foi criado por surfistas pedindo mudanças na gestão da CBSurf. Atletas da elite do Circuito Mundial de Surfe, como o campeão mundial Adriano de Souza e os surfistas Filipe Toledo e Italo Ferreira, encabeçam a iniciativa.

Italo Ferreira apoia abaixo assinado contra atual gestão da CBSurf — Foto: Reprodução Instagram
Publicidade

Italo Ferreira apoia abaixo assinado contra atual gestão da CBSurf — Foto: Reprodução Instagram

Também como resposta ao cenário de crise, o vice-presidente da Confederação divulgou uma nota na última sexta-feira lamentando o ocorrido. No documento, Guilherme Pollastri Gomes, deixou claro que há uma forte divisão dentro da CBSurf. Afastado do cargo por divergências com o presidente, ele pretende entrar com uma representação no Ministério Público pedindo a renúncia de Adalvo Argolo. Ainda segundo Guilherme, caso isso não ocorra, ele mesmo renunciará à posição de vice.

Confira abaixo a nota na íntegra.

– Diante da grave omissão administrativa, que impediu a participação da equipe brasileira no Campeonato Mundial da ISA, não poderia deixar de registrar, como vice-presidente, toda minha indignação e apoio aos atletas, as federações e ao surf brasileiro, que não mereciam este tipo de tratamento, adotando a partir de agora todas as medidas necessárias para o bem da CBSurf e dos atletas – disse na nota.

O abaixo assinado contra a atual gestão da CBSurf já ultrapassou as seis mil assinaturas virtuais. A campanha contra os atuais responsáveis pela administração da Confederação está sendo feita através da internet, nas próprias redes sociais dos atletas. Até as 22h46 de sexta-feira, 6.820 mil pessoas já tinham demonstrado apoio ao movimento.

Atletas fizeram abaixo assinado na internet — Foto: Reprodução Instagram

Atletas fizeram abaixo assinado na internet — Foto: Reprodução Instagram

Adriano de Souza criticou a CBSurf sobre o cancelamento — Foto: Reprodução Instagram

Adriano de Souza criticou a CBSurf sobre o cancelamento — Foto: Reprodução Instagram

A polêmica

Ao todo, seis atletas representariam o Brasil no campeonato que dá quatro vagas (duas em cada naipe) para o Pan-Americano de Lima, em 2019 – Pan que dará uma vaga no feminino e outra no masculino para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Larisssa Pereira, Francisca Gilvanita, Anne dos Santos, Marcos Corrêa Amaro, Geovane Caiçara e Ian Gouveia formariam a delegação brasileira em Tahara.

Segundo o presidente da CBSurf, o cancelamento da ida para o Japão aconteceu como forma de previnir problemas futuros com o planejamento olímpico junto ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), que é quem repassa verba para a Confederação e bancaria as despesas do campeonato. A CBSurf não conseguiu viabilizar a tempo os documentos necessários para prestar contas ao COB dos gastos com a viagem ao Mundial.

Confira a nota na íntegra do vice-presidente da CBSurf

Prezados atletas e amantes do surf,

Na qualidade de vice-presidente da CBSurf e diante dos últimos lamentáveis acontecimentos envolvendo a entidade máxima do esporte nacional, não poderia de deixar de me pronunciar sobre o fato dos atletas terem sido alijados da competição máxima dos atletas amadores e agora os profissionais do surfe olímpico , impedidos de participar.

Eu que trabalhei e acompanhei durante anos o excelente trabalho realizado pela Confederação Brasileira de Volei – CBV, primeiro como advogado e depois como membro do tribunal desportivo, tinha o sonho de transformar a CBSurf em um exemplo de confederação bem gerida e totalmente voltada para o esporte que tanto amo, o Surf.

Neste período 2016/2017 elaborei o novo estatuto da CBSurf em parceria com o COB, lutei pela reaproximação da entidade com a ISA e o Ministério dos Esportes, ajudei a realizar as eleições para ajustá-la ao ciclo olímpico perseguindo este sonho.

Porém, após mais de um ano de dedicação plena e muito esforço para ajudar o surf me vi completamente isolado dentro da própria confederação. No começo deste ano, diante do descumprimento de várias normas do estatuto da CBSurf pelo presidente, e da ingerência maléfica de atores descompromissados com o princípio da legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, bem como a não adoção da transparência e das boas práticas de gestão administrativa, necessárias e suficientes a coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de benefícios e vantagens pessoais, previstas estatutáriamente, me afastei completamente deixando o dia a dia da confederação e voltei a me dedicar a minha vida profissional e familiar. Este fato é notório entre meu ciclo de amizade mas gostaria de deixar registrado hoje publicamente.

Sendo vice num modelo de gestão presidencialista em que discordava totalmente da atuação do presidente não me restou outra alternativa, senão passar a acompanhar de “fora” a administração centralizadora e deletéria em desfavor do surf.

Diante da grave omissão administrativa, que impediu a participação da equipe brasileira no Campeonato Mundial da ISA, não poderia deixar de registrar, como vice-presidente, toda minha indignação e apoio aos atletas, as federações e ao surf brasileiro, que não mereciam este tipo de tratamento, adotando a partir de agora todas as medidas necessárias para o bem da CBSurf e dos atletas.

Guilherme Pollastri Gomes

Fonte globoesporte.globo.com