Três amigas de Kombi pelas Américas

AMIGAS SURFISTAS FARÃO, DE KOMBI, ROTEIRO PELAS AMÉRICAS

Inspiradas por relatos que ouvem desde que eram adolescentes, três amigas surfistas – uma delas com a filha de dois anos e meio – embarcarão em uma Kombi, em Porto Alegre (RS), para dar início a uma viagem de mais de 11 mil quilômetros pelas Américas. O destino das garotas é a Califórnia, nos Estados Unidos.

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No maleiro da “Kombica”, colorida e adaptada, estão mais de 10 pranchas e o desejo de percorrer cenários e conhecer comunidades das quais tanto fala João Wallig, 62 anos, o pai de uma delas, que fez o percurso com outros três amigos em 1976. Quarenta anos depois, chega a vez de Antonia Walli
g, 31 anos, Christie Meditsch, 31, Clarrisa Del Fabbro, 33, e a pequena Gabriela desbravarem a costa do Pacífico. A jornada começou no último domingo.

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A primeira etapa termina no Peru, a quase 6 mil quilômetros da capital gaúcha, onde esperam chegar em 8 de fevereiro. No caminho, que passa por Argentina e Chile, as aventureiras pretendem conhecer a realidade dos locais e oferecer oficinas de arte, sustentabilidade e surfe.

Antônia é arte-educadora. Christie é designer e trabalha com grafite e ilustração. Clarissa é designer e permacultora. Construíram uma amizade e viajaram o mundo pelo surfe. Desta vez, no projeto que leva o nome Rekombinando, o impulso vai além do esporte.

“A época dos professors (como chamam o quarteto de surfistas que as inspirou) era marcada pela contracultura, pelo movimento hippie e pelas ditaduras na América do Sul. Eram características daquele tempo. Queríamos levar as marcas da nossa geração. Pensamos em ações sociais”, explica Antonia.

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Além de quatro oficinas já agendadas, outras tantas podem ser improvisadas. Se encontrarem uma praia suja, a ideia é convidar a comunidade para limpá-la. Se a rua estiver abandonada, por que não convocar moradores para se aproximarem dela por meio do grafite? A Kombi está adaptada – as engenhocas sustentáveis, como um chuveiro com água da chuva, foram projetadas por Clarissa – para as mais variadas ações. Até um projetor será levado para exibir filmes sobre surfe.

“A ideia é se conectar com pessoas locais, descobrir o que tem em cada região. Então só nos programamos com lugar para dormir em Mendoza, na Argentina, onde passaremos a virada do ano. Depois, vamos conforme o que aparecer. Podemos ficar em camping, no quintal de alguém, na casa de pessoas ou, em última hipótese, hotéis – afirma Christie, que fez toda a arte do projeto, inclusive o colorido adesivo da Kombi.

Para João Wallig, a repetição do roteiro será, inevitavelmente, diferente – são 40 anos de avanços tecnológicos. Mas, ainda que as garotas estejam munidas de GPS e com internet para mandar notícias sempre que possível, a viagem não perderá sua essência: a de troca de conhecimento e valores culturais.

“Elas cresceram ouvindo histórias daquela viagem. Como nós, aprenderam a surfar e conheceram um estilo de vida diferente, porque na praia todo mundo é igual. Agora, refazendo essa viagem, vão aprender ainda mais a importância de respeitar as diferenças. Estamos encantados”, afirma Wallig.

Encantados e animados para a próxima viagem: o quarteto vai até o Peru, em fevereiro, para receber as pupilas e celebrar os 40 anos da viagem que fez deles uma família.

Em busca do financiamento

O projeto Rekombinando foi aprovado pelo Ministério da Cultura e pode captar até R$ 1,2 milhão junto a empresas via Lei Rouanet. Nas contas das idealizadoras, o custo da viagem deve ficar próximo dos R$ 600 mil, valor que será usado para o pagamento e manutenção da Kombi, compra de materiais para oficinas e gastos com equipe de filmagem (dirigida por Thomaz Crocco), entre outras coisas.

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Recursos próprios bancarão a primeira etapa, até o Peru. Neste trajeto, o objetivo é trazer parte do material que irá compor um documentário sobre a viagem e um livro infantil – com o mar como pano de fundo, a obra terá o imaginário infantil da costa do Pacífico e será distribuída em escolas públicas do lado de cá, perto do Atlântico.

Com os projetos-pilotos em mãos e mais fotos e relatos de oficinas e encontros, as surfistas pretendem bater à porta de empresas em busca de patrocínio – para, assim, na metade de 2016, resgatar a “Kombica”, que ficará na casa de conhecidos que os professores fizeram em 1976, e seguir o roteiro até a Califórnia.

fonte: Zero Hora/ http://zh.clicrbs.com.br/rs/

Fotos: Tadeu Vilani / Agencia RBS/ Rekombinando

 

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