Torsion Springs da Rusty

 promete agitar mercado de pranchas

O mercado de prancha no mundo inteiro é movido, principalmente, pelos lançamentos das marcas, sejam eles em um design revolucionário ou pelo material mais resistente, aquela espuma mais branca, a prancha que flutua mais, novos pigmentos. Enfim, os fabricantes de pranchas estão sempre inovando ao buscar melhorias para suas invenções

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Em recente visita ao Brasil, o shaper Pedro Battaglin, radicado há nove anos nos Estados Unidos, onde cuida da distribuição internacional e licenciamento das pranchas Rusty, veio apresentar uma nova tecnologia, a Torsion Spring, que promete mexer com o mercado.

Em entrevista exclusiva à Surfar, Battaglin também falou sobre a preocupação dos fabricantes com a flexibilidade das pranchas, que hoje vem sendo o assunto principal lá fora. Confira!

Por José Roberto Annibal. Fotos: Divulgação Rusty.

COMO SE CHAMA ESSA NOVA TECNOLOGIA?

O nome dessa tecnologia é Rusty Torsion Spring. Uma mola que se baseia exatamente na flexibilidade da prancha e como ela se flexiona na onda. Hoje, na Califórnia, todas as marcas estão evoluindo na flexibilidade da prancha, algo que não olhávamos no passado. Quando o surfista está na onda, a prancha está sempre flexionada, não é uma coisa rígida e nem estática, flexiona a cada manobra, virada, bottom turn, cutback ou qualquer outra coisa, da curva de rocker ao fundo. Isso fez com que os fabricantes e shapers se preocupassem com a flexibilidade de suas pranchas, principalmente de onda pequena e de alta performance. Para as pranchas guns não é relevante, já numa pequena e de manobra isso é essencial.

 “Hoje, na Califórnia, todas as marcas estão evoluindo na flexibilidade da prancha, algo que não olhávamos no passado.”
FALE SOBRE O MATERIAL QUE É USADO NA RUSTY TORSION SPRING

Vamos começar pelo bloco/espuma, que é de uma matéria plástica 100% à prova d’água. Outra característica dele é possuir uma flexibilidade muito boa, mesmo depois de um tempo de uso. Outro material importante é a resina. Não se pode usar a poliéster, temos que utilizar” uma de epóxi que é muito mais nobre, usada em barcos, carros da Fórmula 1, sendo assim, um pouco mais cara. Outro item é que ela não tem longarina no meio, o que temos são duas fitas de Kevlar, material feito para colete à prova de bala. Fizemos essa fita especial misturando o carbono, que é rígido com o Kevlar, e foi a melhor coisa que conseguimos após muitos testes.

O shaper com as Rusty Torsion Spring.

E COMO VOCÊ ANALISA UMA PRANCHA NORMAL COM LONGARINA EM TERMOS FLEXIBILIDADE?

A longarina possui variedade na qualidade da madeira, podendo ter mais ou menos flexibilidade e mudando com o tempo, já que a madeira sofre com a temperatura e umidade, mesmo localizada dentro da prancha. Outra coisa que não tem sentido é a longarina estar no meio da prancha, ocasionando a divisão de duas bandas, tendo assim lados que não se comunicam. A prancha normal, que tem sido feita com a construção de poliuretano e a resina poliéster, tem 60 anos de idade e isso vem sendo muito debatido nos Estados Unidos por ser uma coisa que evoluiu muito pouco durante esse tempo, praticamente nada.  A resina de poliéster é muito barata e com o passar do tempo vai ficando mais rígida, dura, perdendo a flexibilidade e sua vida útil. Vemos claramente que os surfistas profissionais estão sempre de prancha nova. E algo que me espanta é que às vezes o profissional pega a prancha zero, passa a parafina e vai para a bateria sem nunca ter testado ela, para ver o quanto a prancha nova possui toda essa flexibilidade. Quando passa de meio ano de uso, ela já perdeu 80% de vida. Um exemplo é que às vezes você deixa sua prancha mágica guardada por uns dois meses e, ao voltar usá-la, ela já não possui a mesma flexibilidade.

“Algo que me espanta é que às vezes o profissional pega a prancha zero, passa a parafina e vai para a bateria sem nunca ter testado ela, para ver o quanto a prancha nova possui toda essa flexibilidade.”
POR NÃO TER LONGARINA, QUAL A DURABILIDADE? E O FATO DELA QUEBRAR NO MEIO, QUAIS FORAM OS TESTE QUE FIZERAM?

Essa é uma pergunta muito importante. Após todos os testes, chegamos à conclusão que a prancha é mais resistente, amassa menos e sua rabeta não vai comprimindo, pois sua estrutura é mais forte. Qualquer prancha quebra no meio, não existe no mundo uma prancha inquebrável, mas a nossa é mais resistente. Primeiro porque não tem só uma longarina no centro, você acaba tendo quase duas, já que cada borda vai ter sua proteção. Além disso, também tem o carbono com o Kevlar que vai proteger ainda mais. Não estamos dizendo que a prancha é inquebrável, apenas que ela é mais resistente que as demais.

John Durant PhotographerModel 8 Oblique.

COMO SERIA PARA CONSERTAR?

Ela tem que ser consertada com resina epóxi, que é muito encontrada no mercado americano. No Brasil, nós conseguimos achar boas resinas epóxi, mas conforme o aumento da demanda a variedade de boas resinas deve aumentar. Outro fator é que se você der um “teco” na prancha enquanto está surfando, não precisa sair da água imediatamente para consertar. Aliás, você não precisa nem consertar a prancha, pois tem absorção “zero” de água. Então, se você ficar surfando por um ano ou mais, ela vai possuir o mesmo peso de quando foi adquirida. A única mudança do peso é com adição da parafina, deck e consertos, caso seja preciso.

“Você não precisa nem consertar a prancha, pois tem absorção ‘zero’ de água. Então, se você ficar surfando por um ano ou mais, ela vai possuir o mesmo peso de quando foi adquirida.”
E A FLUTUAÇÃO DA TORSION SPRING? EXISTE AQUELA “MÍSTICA” QUE ISOPOR FLUTUA MUITO… 

O isopor possui uma flutuação de 15 a 20%, já poliuretano possui de oito a 10%.  O que a gente tem feito é usar os mesmos volumes, com isso o surfista ganha mais conforto na flutuação usando a mesma estrutura e borda, não havendo assim a necessidade de compensação de flutuação.

O surfista local de São Clemente, Califórnia, Kevin Schulz, foi um dos pilotos de testes. Foto: Tim McCaig.

COMO É A PARTE DE TESTES DOS ATLETAS? QUANTO TEMPO E COMO FOI ISSO?

As pranchas têm estado na água praticamente há dois anos desde que começamos a construir os primeiros protótipos. O que fizemos lá na Califórnia para evitar a exposição na mídia foi usar bons surfistas, porém que não fossem os tops para evitar uma exposição muito grande. Além disso, cobrimos a prancha com spray para as pessoas não notarem se tratar de algo diferente. O feedback de todos tem sido excelente, não teve nenhum surfista que usou e não gostou. Eu tenho uma garagem com mais ou menos 40 pranchas e estou vendendo todas elas porque não consigo mais usar outra prancha.

 “As pranchas têm estado na água praticamente há dois anos desde que começamos a construir os primeiros protótipos.”
QUANTO TEMPO DEMORA PARA ENCOMENDAR OU A TORSION SPRING JÁ VAI TER DISPONÍVEL PARA PRONTA-ENTREGA?

Na Califórnia, as pranchas já estão disponíveis desde 25 de janeiro para os lojistas comprarem de pronta-entrega. A maior dificuldade vai ser com os outros mercados, como Japão, Europa e Brasil, e é isso que temos que nos adaptar. Aqui as encomendas começam na segunda quinzena de abril. A minha ideia para o Brasil é das pranchas serem feitas em solo brasileiro e, para isso, estamos enviando a matéria-prima para cá. A prancha de deve custar de oito a 10% mais cara que a normal, mas podemos mudar isso ao levar a matéria-prima para o Brasil. Eu quero que essa prancha fique disponível para todos e não só para uma leva pessoas que tenham condições.

PARA FINALIZAR, QUAL A MÉDIA DE PRANCHAS QUE A RUSTY COMERCIALIZA POR ANO?

Na Califórnia de 8 a 12 mil, dependendo da economia. Outra coisa que interfere é que lá depende muito das condições das ondas. Se tivermos boas ondas durante o verão e no inverno, isso faz as encomendas aumentarem. Se o surf fica muito ruim, não movimenta muito. Mas a média é essa. Na Europa umas 1,500 a dois mil, no Japão de 800 a 1200 e no Brasil temos vendido mais de 800 pranchas ao ano. Fora isso temos mercado no Peru, Chile, Costa Rica, Israel e Taiwan, que tem crescido muito.