Projeto “Surf das Manas” será implantado no Titanzinho

Rubênia é uma das idealizadoras do “Surf das Manas”, no Titanzinho (Foto: Gabriel Paula / Divulgação )

Empoderamento da mulher e combate à violência: Surf das Manas agita Titanzinho
Bairro de Fortaleza que revelou surfistas como Tita Tavares e Fábio Silva agora terá escolinha para mulheres que querem aprender e, depois, ensinar surfe

Berço de Tita Tavares, Fábio Silva, Pablo Paulino, o Titanzinho agora o projeto “Surf das Manas”, uma escolinha construída por mulheres, com rodas de conversas incentivando o empoderamento feminino, a auto-estima e a profissionalização. O projeto foi aprovado no edital “Na Paz”, do Ceará Pacífico, e terá a primeira reunião neste domingo (11), na Associação de Moradores do Titanzinho. Uma das idealizadoras é Joseane Damasceno, moradora da comunidade.

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– Primeiro, vai ter roda de conversa. Depois, terá aula na prática. As mulheres da comundade, de 18 a 29 anos, devem participar, com um intuito de formar uma escolinha de surfe. A maioria (dos professores) é masculina. Quem dá aula são os homens. Algumas mulheres observaram isso. Foi aí que veio a proposta. As mulheres ensinam à comunidade e podem dar aulas particulares – explica.

A ideia é, no Surf das Manas, conversar sobre feminismo, violência, território e periferia. O projeto terá prazo inicial de apenas quatro meses. Mas a intenção do coletivo é de ampliar esse tempo. Até agora, já são duas professores garantidas, e a turma deve receber 10 alunas, devido ao número de pranchas disponíveis. A surfista Rubênia foi uma das idealizadoras do projeto e é um dos destaques atuais na prancha.

– O objetivo é trazer meninas que não estão na cena. Mas a gente tem a Rubênia, a Eduarda e temos a Camila, conhecida como nêga, que sempre anda com os meninos, e ela surfa muito aqui. Ela tem muito potencial, mas não está muito visada. E a gente reconhece que ela se garante demais – detalha Joseane.

A divulgação está ocorrendo por redes sociais, em encontros em escolas do Titanzinho e com caminhada pelo próprio bairro. A própria Joseane, com quem a reportagem do GloboEsporte.com/ce conversou, não sabe surfar. E pretende aprender a pegar ondas com o “Surf das Manas”.

– Eu acho que é de grande importância contexto tão violento, tantas mulheres morrendo, pensar a profissionalização, pensar em dar aulas, sempre os homens são aulas, mulheres com o tempo ocioso, fortalecer a mulher na juventude, reconhecer o nosso lugar, participar o nosso lugar. A gente escreveu o projeto, eu e douas, uma surfa, a rubênia Petendo aprender, eu não surfo.

Fonte globoesporte.globo.com