O surf psicodélico de Mick Fanning sob as luzes da aurora boreal

Mick Fanning sob as incríveis luzes da aurora boreal. Foto: Emil Sollie and Mats Grimsæth / Red Bull Content Pool

O 3x campeão mundial elimina mais um item da sua lista de desejos, fala sobre o legado de Slater e comenta o assédio excessivo da mídia

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Em menos de 30 segundos, a vida de Mick Fanning mudou para sempre. Foi difícil de processar no momento – Fanning, como o resto do mundo, assistindo em estado de choque – mas seu encontro com um tubarão em 2015, em Jeffreys Bay, durante a final da etapa do CT, teve o efeito de uma britadeira nos planos de vida do 3x Campeão do Mundo.

Não havia volta depois disso.

Desde o incidente, Fanning continuou sua campanha de 2015, perdendo o título mundial para Adriano de Souza na última etapa do ano, em Pipeline, no Havaí, e retornando então a J-Bay no ano seguinte para uma vitória redentora.

Mas foi preciso aguardar que os holofotes da grande mídia finalmente diminuíssem sua intensidade, para que Fanning fosse capaz de esgueirar-se para longe de tanta atenção, gastando algum tempo consigo mesmo, eliminando itens de sua lista de desejos sem uma camiseta de competição. E a saber, isso significava algumas viagens de surf audaciosas e não convencionais.

A mais recente aventura foi uma expedição da Red Bull para a Noruega com o objetivo de surfar no meio da noite sob a aurora boreal das distantes e congelantes ilhas Lofoten. Com uma legião de fotógrafos e cinegrafistas da equipe da bebida energética à disposição, funcionando como uma unidade de geração de conteúdo de esportes extremos, o material resultante é surreal e fascinante – como uma representação real de uma pintura de Rick Griffin, o falecido artista que se dedicou ao surf psicodélico e posters do Grateful Dead.

“Depois que entrei na água, as séries tinha intervalos de quatro e seis minutos entre elas”, disse Fanning à rádio ABC na Austrália. “Eu estava apenas olhando para o céu e gritando de emoção, foi incrível, era algo que estava na minha lista de desejos já há um bom tempo, por isso, quando a idéia surgiu, eu estava pronto para ir”.

Numa recente viagem da Red Bull, Mick Fanning tomou o rumo das ilhas Lofoten, nos confins da Noruega, onde ele surfou um congelante point break para a direita, no meio da noite, sob as incríveis luzes da aurora boreal. Foto: Emil Sollie and Mats Grimsæth / Red Bull Content Pool

E apesar das condições extremas, Fanning e a equipe de fotógrafos pegaram alguns dias de ondas decentes nos confins do norte da nação escandinava, incluindo a elusiva sessão com a Aurora Borealis:

“Eu não coloquei minha roupa de borracha até a meia-noite, e sai do mar por volta das 2h30 da manhã”, disse Mick. “Todo mundo estava eufórico, mas eu estava bem acabado e com bastante frio naquele momento. Mas uma vez que vimos as fotos no dia seguinte, todos ficaram muito felizes. A onda em si até que era bem boa. Surfamos ondas decentes ao longo de todos os 10 dias, Mas essa foi a única noite em que tivemos aurora boreal e as ondas junto.”

Somente uma vez durante os dez dias de viagem a equipe conseguiu surfar sob a aurora boreal. Mas no resto do tempo pegaram ondas mais do que decentes. Foto: Emil Sollie / Red Bull Content Pool

À parte a Noruega, Fanning esteve em numerosas expedições de água fria desde que embarcou em um ano sabático do Tour Mundial – ou seja, para o Alasca (duas vezes) e em algum lugar perto do Círculo Polar Ártico para surfar ondas de geleira com Mason Ho. Não exatamente as regiões convencionais do mundo quando você pensa em expedições de surf. Mas o caminho de Fanning tem sido qualquer coisa menos tradicional.

Após uma aparição no Hurley Pro em Lowers, Mick dirigiu quase 500 km milhas rumo norte na Califórnia para outra experiência fora do comum que estava na sua lista de desejos. “Nos divertimos demais naquele dia”, disse ele sobre a onda da piscina de Lemoore de Kelly Slater, sem que as filmagens dele ainda tenham sido lançadas. “É realmente uma novidade, mas na verdade a onda é legítima.”

E refletindo sobre a sessão, Mick declarou seu assombro com o legado de Slater, já que o próximo ano deve ser o último no Tour para o melhor de todos os tempos: “Ele é um atleta fenomenal. Ter 45 anos de idade e ainda ganhar eventos é coisa de alguém de outro planeta. Não dá para falar nada negativo, ele fez coisas que provavelmente nunca serão repetidas. Quase sozinho, tornou o esporte de uma uma brincadeira de praia para onde está hoje aceito pelo mundo todo.”

“Foi incrível,” disse Mick, que tem aproveitado ao máximo seu ano sabático to Tour Mundial. “Era algo que estava na minha lista de desejos há um bom tempo. Quando a idéia surgiu, eu estava pronto para ir.” Foto: Mats Grimsæth / Red Bull Content Pool

Mas Fanning também sentiu as consequências de chamar a atenção da grande mídia desde o seu incidente com o tubarão – de perfis bem elaborados para o programa “60 minutes” a manchetes sensacionalistas em revistas de fofocas de celebridade – incitando um interesse recém-descoberto de donas de casa longe do litoral por sua vida pessoal e além.

 “É preciso pagar o preço de vez em quando”, disse Fanning. “Mas você só tem que levar numa boa. Se você tem que fazer uma hora de trabalho, então tudo bem – nós vamos surfar, isso não é realmente trabalho. Para atender a a mídia e todas essas coisas mais, não é tão difícil. Mas às vezes você quer simplesmente desaparecer e sumir da face da terra. Acho que todo mundo quer isso.”
Fonte surfline.com

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