O filho do Gouveia e pai da Malia

Ian com sua filha Malia. Foto: Smorigo/WSL

Filho de Fábio Gouveia, campeão mundial amador em 1988, Ian Gouveia estreia na elite e busca firmar-se entre os tops para seguir carreira no circuito. Ian estreia em Fiji contra Julian Wilson e Connor O’Leary.

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Ian Gouveia é um daqueles surfistas que, podemos dizer, nasceu no mar. Filho da lenda Fábio Gouveia, campeão mundial amador em 1988, o pernambucano criado em Florianópolis, SC, cresceu e foi criado em meio a viagens e competições, até chegar à tão sonhada elite do surf este ano aos 24 de idade.

Veterano de 47 anos, o pai coruja tenta estar ao lado do filho em todos os eventos e diz que o garoto já demonstrou uma grande evolução em seus primeiros meses no Circuito Mundial. No Oi Rio Pro, etapa brasileira do Mundial em Saquarema este ano, Ian Gouveia começou bem na sua bateria da primeira fase com Adrian Buchan e Matt Wilkinson, vencendo o confronto contra os dois australiano. Ian só parou no terceiro round da competição diante do campeão Adriano de Souza.

“É muito legal ver o Ian competindo no Circuito Mundial, porque ele cresceu na estrada, já que sou surfista e a minha esposa competia de bodyboard. O Ian surfava no QS há algum tempo e de repente teve um estalo do ano passado para cá. Talvez tenha sido a paternidade. O cara quando é pai passa a encarar as suas dificuldades e se moldando em qualquer situação”, contou Fabinho, lembrando do nascimento da neta Malia, atualmente com 1 ano e 3 meses de idade.

Pai e filho. Fabinho tenta sempre acompanhar Ian em todas as competições. Foto: Divulgação

A caminha rumo ao Circuito Mundial começou a partir do meio do ano passado durante a perna europeia do QS. Na época, Ian conseguiu o quarto lugar na Espanha, venceu em Açores e ficou em terceiro na etapa prime de Cascais, ambas em Portugal.

O voo perfeito de Ian Gouveia nas Ilhas Açores, em Portugal, evento em que foi campeão. Foto: Masurel/WSL.

Antes disso, o jovem pernambucano tinha, nada menos, que 69 competidores à sua frente no ranking. Mas a confirmação da vaga veio na última etapa do QS, em Sunset Beach, Hawaii, mesmo lugar onde seu pai fez história ao ser o primeiro brasileiro a conquistar uma edição do evento.

Ian comemorando a vitória no QS 6000 Azores Airlines Pro. Foto: Masurel/WSL.

Ian comemorando a vitória no QS 6000 Azores Airlines Pro. Foto: Masurel/WSL.

“QS é um circuito de sobrevivência, muitas pessoas estão ali sem patrocínio e trabalham entre uma etapa e outra. Sem contar que muitas etapas não dão dinheiro. São muitos atletas para somente dez vagas. Para mim, foi tudo muito de repente. De uma hora para outra me vi pai e logo depois estava no WCT. Vinha sendo cobrado pelos patrocinadores e todos diziam que eu podia ir mais longe. Apesar as cobranças, não estou surpreso por estar onde estou”, falou o pernambucano, radicado em Florianópolis.

Ian também falou que seu pai é um torcedor paciente neste seu início de Circuito Mundial, ao contrário da mãe Elka, que costuma extravasar as suas emoções ele está na água: “Meu pai sempre foi muito tranquilo com relação a surf, diz que cada um tem o seu momento. Já a minha mãe é um pouco diferente. Ela torce muito, fala mais comigo e, às vezes até me xinga de ‘burro e cabeção’ (risos)! Mas depois conversa numa boa e me põe para cima.”

Ian Gouveia durante a última etapa do QS, em Sunset Beach, onde confirmou sua vaga para o WCT este ano. Foto: Cestari/WSL.

Casado com Mayara Hanada, filha do fotógrafo Gil Hanada, Ian já começou a ensinar os primeiros passos do surf à sua pequena Malia. Mesmo com pouca idade, a menina já vem tendo contato com o esporte durante as diversas  viagens para competições e treinos.

“Nossa vida sempre foi e está se encaminhando cada vez mais para o surf. Já coloquei a Malia em cima de uma prancha no Hawaii e ela até atropelou uma menininha (risos). Elas estão me acompanhando direto nas etapas desde o ano passado”, disse com orgulho Ian.

Feliz com o sucesso do filho, tanto na vida profissional quanto pessoal, Fabio Gouveia conta que sua geração encontrou muito mais dificuldades devido à falta de recursos e estrutura nas competições, o que deixava o Brasil longe das maiores potências do surf como Austrália, Estados Unidos e Hawaii. Fabinho  ressalta que seu filho está chegando à elite num momento de grande visibilidade do surf no país por causa dos  títulos mundiais de Gabriel Medina e Adriano de Souza.

Fábio Gouveia. Foto: Reprodução Facebook.

Fábio Gouveia. Foto: Reprodução Facebook.

“Entrei em muita roubada, peguei o início da profissionalização no fim dos anos 80. A gente achava que estava perto do topo, mas na verdade estava longe. Depois do título do Medina e do Mineiro é que muita coisa mudou. Agora eles têm mais estrutura, viajam mais. O Ian sentiu que está no momento dele. Nunca coloquei pressão, ele está numa escalada e tem tudo para ter uma carreira duradoura no Circuito”, explicou.

E qual seria a semelhança no estilo de surf do pai e filho? Questionado sobre esse assunto, Fabinho fala: “Algumas coisas são parecidas e outras são diferentes. Eu sou regular (pé esquerdo na frente da prancha) e ele é goofy (pé direito na frente). Ele tem um surfe de borda, está em plena evolução. Quando você entra na primeira divisão tem uns dois ou três anos de aprendizado. O Ian vai crescer muito ainda e eu vou estar aqui para acompanhar.”

Ian em ação nas ondas de Itaúna durante o Oi Rio Pro, etapa brasileira do Mundial este ano em Saquarema. Foto: Poullenot/WSL.

O Fiji Pro, quinta etapa do Circuito Mundial, começa em 04 de junho e vai até o dia 16 na Ilha de Tavarua. Confira ao vivo clicando aqui.

Confira as baterias da 1ª fase masculina em Fiji:

1: Kolohe Andino (EUA), Frederico Morais (PRT), Jadson André (BRA)
2: Matt Wilkinson (AUS), Italo Ferreira (BRA), Joan Duru (FRA)
3: Owen Wright (AUS), Jeremy Flores (FRA), Ethan Ewing (AUS)
4: Adriano de Souza (BRA), Ezekiel Lau (HAW), Leonardo Fioravanti (ITA)
5: Jordy Smith (AFS), Kanoa Igarashi (EUA), Yago Dora (BRA)
6: John John Florence (HAW), Jack Freestone (AUS), Tevta Gukilau (FJI)
7: Joel Parkinson (AUS), Wiggolly Dantas (BRA), Nat Young (EUA)
8: Gabriel Medina (BRA), Conner Coffin (EUA), Stu Kennedy (AUS)
9: Julian Wilson (AUS), Connor O’Leary (AUS), Ian Gouveia (BRA)
10: Caio Ibelli (BRA), Michel Bourez (PYF), Miguel Pupo (BRA)
11: Sebastian Zietz (HAW), Mick Fanning (AUS), Bede Durbidge (AUS)
12: Adrian Buchan (AUS), Kelly Slater (EUA), Josh Kerr (AUS)

Fonte globoesporte.globo.com