Na Ponta do Pará

Os ‘kitesurfistas’ que exploraram a remota região. Foto Cleber Lima/ Craud.net

Expedição Ponta do Camaraçu

O litoral amazônico do Estado do Pará, situado no nordeste do estado, possui características singulares que o distinguem da costa brasileira, destacando-se por suas formas recortadas com ilhas, penínsulas e baias, situadas em amplas desembocaduras de rios.

A Ponta do Camaraçu é uma dessas ilhas selvagens, habitada por pequenos vilarejos de pescadores, cujo acesso se dá somente por rios ou oceano, contudo, a dificuldade de acesso é recompensada pela qualidade de suas ondas, o que já vem sendo explorado por surfistas da região há mais de 10 anos.

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Por outro lado, a prática do Kitesurf nessa ilha é ainda incipiente, em que pese apresentar boas condições de vento nos meses de julho a dezembro, atingindo o ápice entre setembro e outubro.

Foi então que a partir de conversas entre amigos ‘kitesurfistas’ surgiu a ideia de realizar uma kitetrip para a Ponta do Camaraçu na metade do mês de setembro. Na trip estavam presentes os velejadores Rick Rezende, Biro Abnader, Cláudio Moreira, Fábio Mello, João Carlos Lavareda, Paulo Lima, Diogo Rezende, André Campbell, Robson Gilbert e Vasco Borborema, além do fotógrafo Cleber Lima.

A previsão de boas condições de vento e onda se confirmou para alegria dos ‘kitesurfistas’, com média de vento entre 18 e 22 nós. Por seu formato, na ilha quebram várias ondas diferentes, sendo os picos já nominados por surfistas conhecidos como Jamba’s e Maçaroca. Nessa ocasião a pedida era o Jamba´s, que apresentava as melhores condições, com mar liso e ondas fortes e extensas muito bem formadas. Em frente ao rancho onde estavam os ‘kitesurfistas’, local conhecido como cupim, havia outra onda que foi bastante explorada, embora suas condições sejam inferiores as do Jamba’s.

Foram três dias de muito velejo e uma alegria indescritível, talvez por estar em um local tão primitivo, em contato íntimo com a natureza intacta, distante da civilização, na companhia de amigos e com um parque de diversões exclusivo a disposição.

Na noite do penúltimo dia de ‘trip’ surgiu a ideia de fazer um ‘downwind’ que foi logo endossada por todos os velejadores. Assim, ao invés de retornar de barco até a cidade de Augusto Corrêa, fariam um downwind até a praia de Ajuruteua, local que dispõe de acesso rodoviário e certa infra estrutura, com bares, hotéis e restaurantes.

O percurso de 26 km foi realizado sem grandes dificuldades, com velejo próximo a margem até a ultima praia da Ponta do Camaraçu. Em certo ponto a praia começa a adentrar no recorte da baia do Caeté e o vento começa a falhar indicando a necessidade de reajustar o rumo baia adentro até concluir a travessia na Praia de Ajuruteua, onde foram bem recebidos por velejadores locais, marcando o fim dessa ‘kitetrip’ épica que ficará marcada na memória de cada velejador, realçada ainda pelas imagens desse lugar fantástico.

Agradecimentos ao Sr. Adamor (piloto), e ao Dr. Milton Lobão e família.

Texto de Vasco Borborema 

Fotos Cleber Lima/ Craud.net

Fotos (Drone) Paulo Lima 

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