Instituto A Prancha do Campeão abre as portas em Itacaré BA

Vitor Rollin Instituto A Prancha do Campeão. Foto Divulgação

Atuar como uma liderança fomentadora do esporte, visando criar oportunidade igual para todos. Essa é a política do Instituto A Prancha do Campeão (APDC), uma organização sem fins lucrativos, recém surgida em Itacaré e que utiliza o esporte como meio de transformação social. A equipe do surf73 conversou com Vitor Rollin, Fundador Presidente do APDC, para entender melhor o que é esta entidade e quais os mecanismos utilizados para que o instituto possa contribuir para o desenvolvimento do esporte, dos atletas e da cidade

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 O que é o Instituto APDC?

Somos uma organização de interesse social sem fins lucrativos

Qual o origem do nome APDC?

A PRANCHA DO CAMPEÃO foi escolhido pelo simbolismo que este instrumento considerado mágico pelos surfistas representa. A Prancha de um campeão vira um objeto de desejo que todo fã almeja ver, tocar ou possuir, uma poderosa alavanca de sonhos.

Atualmente temos duas pranchas no quiver do Instituto: uma do Gabriel Medina, utilizada no Tahiti no ano em que ele foi campeão. E outra do Filipe Toledo, que nos foi doada pelo pai dele, Ricardo Toledo, Embaixador do Insttituto APDC.

Além dessas, estamos nos aguardo de uma prancha do Adriano de Souza .

Um detalhe importante é que iremos registrar estas pranchas como patrimônio do Instituto para que, no futuro, sejam parte de um museu do surf profissional e freesurf Profissional.

Qual a finalidade do Instituto?

Criar oportunidades para todos. Formar surfistas cidadãos para influenciarem as novas gerações. Trabalhar para unificar as associações e formar a Liga Itacareense de Surf e Cidadania. Dar apoio às outras iniciativas privadas que apoiem a educação, o esporte e o turismo. Influenciar positivamente o poder público para que interaja com a sociedade organizada e as empresas, promovendo a gestão participativa do município dando ênfase ao desporto. Influenciar outras regiões e Estados brasileiros.

O que inspirou a criação do APDC?

O primeiro campeão mundial brasileiro mexeu muito com a comunidade do surf, trouxe autoestima e alimentou a esperança de milhares de crianças e jovens pelo Brasil.

Certa vez eu estava no Guaruja, em SP, e entrei em uma surf Shop da RipCurl e tinha uma prancha do Medina à venda. Muitas pessoas olhavam com admiração e desejavam tê-la. Afinal, não era uma prancha qualquer. Era ali, na minha frente, a prancha do primeiro campeão mundial de surf!

Tratava-se de uma das pranchas usadas por Medina, num mar considerado épico do Tahiti, no ano em que ele foi campeão mundial.

Para a minha surpresa a vendedora da loja me informou que se eu comprasse a prancha estaria ajudando um programa social que o Medina estava dando apoio. Este foi o elemento que faltava para eu adquirir A Prancha do Campeão. Além de ter o objeto de desejo, ainda estava contribuindo para ajudar alguém carente. Vi ali uma oportunidade de criar algo em torno desta atmosfera e poder entrar no mundo do surf de uma forma ideológica.

A partir de então, venho acompanhando os passos da criação do Instituto Gabriel Medina, em Maresias, que nos serve de norte para, no futuro, construirmos também um centro de treinamento completo e quem sabe a Universidade do Furf em Itacaré, para além de treinar competidores, também capacitá-los profissionalmente.

O que motivou a criação do APDC?

A degradação social de Itacaré, motivada pela falta de oportunidades aos jovens e crianças que não encontram meios de se desenvolverem e acabam buscando más referências e a vida fácil como meio de sobrevivência.

Como o instituto pretende atuar?

O Instituto APDC – @thechampionsurfboard Busca a captação de recursos para fomentar o desenvolvimento do esporte junto à iniciativa privada e/ou pública municipal, estadual e federal, fazendo uso da Lei de Incentivo ao Esporte e outros meios legais. E fora do país, através de convênios com outras iniciativas estrangeiras.

Atua diretamente junto aos atletas dando-lhes suporte financeiro e institucional, orientando na gestão da carreira esportiva, promoção e marketing esportivo, relaciona-se com outras lideranças do surf promovendo o intercâmbio, mediando conflitos e buscando soluções dentro e fora do esporte. Da apoio a empresas que tenham visão socioambiental ligadas direta ou indiretamente ao esporte, promove intercâmbios com outras organizações nacionais e internacionais.

Quem são os atletas que já fazem parte do projeto? 

Iniciamos com Felix Martins e Thais Oliveira. Logo em seguida Isadora Caldas, Camila Belfort e, mais recentemente, Igor Farias. Todos esses eu não fui atrás. Pelo contrário, eles que vieram até mim e pediram ajuda.

O único, até agora, que fiz contato foi Junior Jesus, o Bódi, por ser uma personalidade freesurfer marcante da cidade. Ultimamente tenho recebido a visita de outros atletas do surf e também do SUP, além das associações locais e a meta é abraçar e unificar toda a comunidade do surf de Itacaré. É ajudar a transformar o Hawaii baiano em um lugar de referência para o surf .

O que o instituto oferece a essas pessoas e qual a contrapartida exigida?

O Instituto oferece recursos, orientação, gestão de carreira, treinamento, gestão de marketing não somente aos atletas, mas também aos seus parceiros.

A contrapartida exigida é postura, educação, respeito dentro e fora d’água, pois eles são elementos “meio” que servirão de exemplos para os elementos “fins” que são as crianças.

Estamos também elaborando critérios mais definidos como, por exemplo, está estudando ou ter completado, pelo menos, o segundo grau e que se encaixem em um esquema profissionalizante para que tenham um plano B,  pois sabemos que a carteira de atleta profissional é curta.

Porque escolher o surf como protagonista das ações do instituto?

Sou surfista há mais de 20 anos e acompanhei a trajetória do surf marginalizado até os dias de hoje, quando já estamos formando ídolos no país inteiro em até lugares onde não tem litoral.

E aqui, em Itacaré, cidade que escolhi para viver e criar minha terceira filha a NINA, a nossa mais nova baianinha de 3 meses, justamente neste lugar abençoado acontece algo diferente do que ocorre no restante do país. Normalmente, aqui, a meninada escolhe uma prancha, ao invés de uma bola. Somos uma surfcity, somos o Hawaii baiano, estamos em um dos lugares mais belos do mundo.

De que forma o instituto e o surf podem atuar como agentes de transformação social em benefício de Itacaré?

O Instituto pretende contribuir para que o surf e os esportes aquáticos de prancha possam assumir o seu papel de protagonismo e comecem a atuar, de fato, como um dos principais vetores de desenvolvimento socioeconômico, sobretudo através do estímulo ao turismo sustentável de Itacaré e região. Isso, claro, sempre destacando valores como ética, comprometimento, profissionalismo, interdependência e solidariedade.

Como a sociedade itacareense pode contribuir para o sucesso deste projeto?

Não somente pode como, a meu ver, deve, pois o surf é uma das principais alavancas do desenvolvimento econômico da cidade. Muitas pessoas e empresários vivem exclusivamente do surf e contribuir para o desenvolvimento do esporte é promover a sustentabilidade econômica do município.

Inicialmente esses atores podem contribuir tomando conhecimento das ações de responsabilidade que estão surgindo com o objetivo de impulsionar o surf itacareense a um patamar de excelência esportiva, econômica e social.  E, por fim, voltando a se incluir nas questões que envolvem a sociedade civil organizada.

Quem são os atuais parceiros do instituto e como funciona o sistema de parcerias?

Index krown pranchas de surf – nos fornece pranchas a preços especiais; The Surf’s Cool centro de treinamento oferece, para a maioria dos atletas apoiados, acompanhamento físico com treinamento funcional específico. A Casa Natura Surf Camp é um fornecedor de equipamentos, acessórios e Yoga. A Policlin clinica especializada em tratamento dentário. A Do It Comunicação faz toda a criação e marketing. O site Surf73 faz a cobertura jornalística das ações e dos atletas do instituto. Além desses, existem também pessoas físicas que ajudam, mas que preferem manter-se anônimas. Uma observação importante é que todos esses parceiros são empresas socialmente responsáveis e prestam estes serviços gratuitamente.

Fonte surf73.com.br

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