Família Toledo na Califórnia…

O atleta em ação durante o Oi Rio Pro este ano em Saquarema. Foto: Poullenot/WSL.

No momento ocupando a 14a  colocação no ranking mundial, Filipinho mostra rotina da família nos EUA, coleção de pranchas e fala sobre Fiji.

Família Toledo: 19 pessoas mais a Cali, a pitbull da família, e, mesmo assim, o lugar parece ter espaço para mais um, mais um e mais um. Desde que chegou a San Clemente, na Califórnia, a família causa um certo espanto nos vizinhos.

Filipinho Toledo mostra a rotina da família. Foto: Íris Correia.Filipinho Toledo mostra a rotina da família. Foto: Íris Correia.

Com Mari e Ricardinho, mais os quatro filhos (Mateus, o mais velho, está no Brasil), a nora e a neta Mahina, são oito pessoas vivendo juntas sob as regras rígidas de Mari.

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É a mãe quem cuida de tudo, mantém a ordem na casa e não deixa que a cachorra da família cruze a porta da varanda para não espalhar pelos pela casa toda. Cali sabe disso e não se atreve a fazer o oposto.

“As famílias americanas estão acostumadas a distribuir as tarefas entre os filhos e vê-los saindo de casa ainda muito novos. Com 11 ou 12 anos, as crianças já sabem como lavar roupas e colocar o lixo para fora. Aqui, a mãe cuida de tudo, da casa inteira. Eles ficam meio chocados. Ela faz tudo? Ela limpa a casa? São oito pessoas?”, fala Ricardo Toledo, o pai.

Filipinho com seu pai Ricardo durante o Drug Aware Maragret Rive Pro. Foto: Dunbar/WSL.

Durante os campeonatos de surf, a quantidade de pessoas aumenta ainda mais podendo chegar a 20. Bicampeão brasileiro de surf em 1991 e 95, Ricardinho reconhece a importância de ajudar os meninos mais novos e iniciantes: “A gente sempre ajuda os meninos que estão participando dos campeonatos e tem alguma dificuldade financeira. A gente já viajou muito assim, eu já viajei muito assim. A gente sabe o quanto é importante dar um braço para as pessoas nessa caminhada.”

Filipe rasgando com estilo em Trestles. Foto: Rowland/WSL.

Receber os amigos em San Clemente faz parte de um projeto traçado lá em 2012. Quando Ricardo veio pela primeira vez à cidade com Filipe para uma competição, ele achou que ali seria o lugar perfeito para todos morarem. Mas Filipinho era avesso a sair de Ubatuba, cidade onde nasceu e foi lapidado o fenômeno brasileiro.

Hawaii, Austrália e até outras cidades dos Estados Unidos foram alvo de Ricardo e Mari, mas somente as ondas de San Clemente cativaram Filipe. “Ele cresceu em Ubatuba e dizia que nunca sairia dali”, conta a mãe, logo interrompida por Filipe: “Eu não queria mesmo, de jeito nenhum!”

A mudança para outro país foi sentida rapidamente por toda família
Comemorando a vitória do Vans US Open of Surfing ano pasado. Foto:  Jackson Van Kirk/WSL.Comemorando a vitória do Vans US Open of Surfing ano pasado. Foto: Jackson Van Kirk/WSL.

“Três meses depois que a gente mudou, eu ganhei o US Open. Fui para o Brasil e ganhei o WQS 10 mil em Maresias e fui campeão do naquele ano. Depois de um tempo, o meu atual manager entrou em contato com o meu pai dizendo que queria cuidar das minhas coisas. Então, foi uma porta muito boa que se abriu que eu acho que se a gente tivesse ficado no Brasil ele não teria chegado até a gente. Estar na mídia internacional também agregou muito à minha carreira, fora a qualidade de vida para toda a família”. contou Filipe.

Diferentemente de Filipe, os irmãos mais novos Sofia e Davi não tiveram outra opção a não ser arrumar as malas e embarcar para a Califórnia. Afinal, “filho menor de idade tem, por obrigação, seguir os pais”, brinca Ricardinho.

Filipinho com a família num momento de relax. Foto: Iris Correia.Filipinho com a família num momento de relax. Foto: Iris Correia.

Ninguém falava inglês. Sofia, muito aplicada e acostumada às boas notas no Brasil, voltava do colégio chorando diariamente por conta da dificuldade de adaptação. Davi estava tranquilo, afinal, a primeira aula de todos os dias era surf na praia.

Hoje, o garoto está na liga do colegial e participa de campeonatos locais. Ele participou das finais da competição e ficou em segundo lugar. Para assistir ao campeonato de Davi, toda a família foi junta até Dana Point, cidade que fica a 17 minutos de San Clemente e tem boas ondas.

Filipe Toledo aproveitando o intervalo entre os eventos para treinar suas manobras radicais na Califórnia.

“Eu surfo muito Lowers e Uppers, que são pertinho um do outro. Ultimamente surfo mais em Uppers porque é menos cheio que Lowers. Mas também tem os macetes. A galera vai muito cedo, surfa, surfa, surfa e, depois, vai trabalhar. Então, 10, 11 horas é um horário bom para surfar”, diz Filipe, mostrando que, além de Dana Point, tem outros picos preferidos.  Filipinho quase sempre tem a companhia do pai em suas caídas. “Ele só não vai quando a mãe cata e diz hoje você não vai não!”, brinca o surfista.


Durante os dias em que o cinegrafista de Filipinho não está nos Estados Unidos, é o pai quem acompanha o filho para filmar todos os treinos para que ele possa assistir depois.  “Eu vou com ele, porque ele quer ver a prancha andando, se está desenvolvendo, se está correndo, se não está… Todos esses detalhes que a gente acerta e vê são muito importantes, é melhor do que ele surfar e ficar com aquilo na memória”, explica Ricardinho.

Filipe e sua coleção de pranchas. Foto: Iris Correia.Filipe e sua coleção de pranchas. Foto: Iris Correia.

Na mudança do Brasil para San Clemente, Filipinho também carregou sua coleção de pranchas. Na garagem da casa, nenhum carro. Bicicletas e pranchas se dividem no espaço a ponto de nem o próprio dono saber quantas estão por ali: “Acho que são 35. Não… mais… Não! Chega a 50, com certeza!”

Por enquanto, as pranchas são usadas apenas para os treinamentos. Este ano, Filipinho ficou fora da etapa de Fiji do Circuito Mundial depois de ser suspenso na etapa de Saquarema. Agora o brasileiro se prepara para a etapa de Jeffrey´s Bay, na África do Sul, que acontece de 18 a 23 de julho.

Durante o J-Bay Open no ano passado. Foto: Tostee/WSL.

“J-Bay é uma onda que eu gosto muito de surfar, uma onda perfeita e ainda mais para a direita. O meu ano tem sido bom, apesar de eu não ter ido para Fiji agora por conta da suspensão que tive em Saquarema. Quando eu perdi, fiquei revoltado, mas é aquilo, quando a gente aprende com os erros. Já estou há quatro anos nessa e já deu para aprender um pouquinho. Se não, dá desgaste, dá suspensão. Foi a primeira e única e isso é bom para a gente aprender”, fala Filipe, que espera brigar pelo título no Hawaii no fim do ano.

Filipe entubando em Pipe. Foto: Cestari/WSL.

Fonte: globoesporte.globo.com