Estádio de futebol em ‘Sampa’ com onda artificial…

Empresas sugerem implantação de parque de ondas artificiais no Pacaembu. Foto: Reprodução

Reforma no Pacaembu pode ter onda artificial

Fim do setor conhecido como Tobogã, um estádio totalmente coberto e até a instalação de um hotel ou um parque de ondas artificiais. Essas são apenas algumas das ideias das empresas que manifestaram interesse no programa de concessão do Pacaembu, promovido pela Prefeitura de São Paulo.

O ESPN.com.br obteve, via Lei de Acesso à Informação, as cinco propostas de estudos preliminares entregues ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), órgãos que agora avaliam os projetos dos interessados.

Cabe aos dois conselhos analisar se as ideias apresentadas respeitam as regras de proteção do patrimônio histórico, artístico e cultural, já que o Pacaembu é um bem tombado.

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As empresas tinham até o dia 3 de julho para apresentarem suas projetos. No último dia 31, foi realizada uma oitiva em que os proponentes apresentaram seus planos e esclareceram dúvidas aos órgãos. Na segunda-feira (7/8), o Conselho do CONDEPHAAT teve reunião que discutiu o tema e o mesmo acontecerá no Conpresp na próxima segunda (14/8).

A partir das análises, os interessados terão suas propostas credenciadas e receberão 60 dias para apresentar os estudos de viabilidade de suas ideias preliminares. Uma Comissão de Avaliação, formada por três pessoas, então, definirá se o modelo adotado para o Complexo Pacaembu será de concessão ou parceria. Depois disso, acontecerá uma consulta pública e, por fim, a licitação.

Segundo a Prefeitura, são premissas básicas para os estudos “respeitar as determinações do CONDEPHAAT e Conpresp; assumir as despesas de operação; realizar melhorias e investimentos, além de contrato com prazo mínimo de 10 anos” – não é apontado prazo máximo – e “têm preferência modelos que garantam a desoneração da administração pública municipal”.

Cinco empresas “Arena Assessoria de Projetos”, “BF Capital”, “Arap, Nishi & Ueda Advogados”, “Jones Lang LaSalle” e “Raí + Velasco” – são responsáveis por um dos projetos apresentados para o Pacaembu. A última delas tem o ex-jogador Raí como sócio – em parceira com Paulo Velasco.

As propostas incluem as demolições do Tobogã – que seria ocupado por dois edifícios – e dos setores “Laranja Família” e “Visitante”; nova cobertura; a criação de uma Escola de Artes e Fotografia dentro do estádio; a inserção de um nível de camarotes; entre diversas outras iniciativas, que reduziriam a capacidade do Pacaembu de 40.199 pessoas para 22 mil.

As maiores intervenções estão previstas para a área onde fica o Tobogã, com a construção de um edifício mais próximo ao Centro Poliesportivo (também incluído na concessão) e outro mais perto do estádio. O primeiro, citando o projeto, seria “destinado a contemplação pública, lazer, gastronomia, corporativo e hoteleiro”; e o segundo, a “uso de estar, lazer e hospitalidade”.

“Uma nova cobertura translúcida nos setores Leste e Oeste, novos assentos em todo o estádio, novos locais de alimentação, sanitários adequados, inserção de tecnologia e acessibilidade universal em todo o complexo certamente trarão grande conforto aos usuários do complexo, adequando o Pacaembu para o futuro”, descrevem as empresas que assinam o estudo preliminar.

As propostas apresentadas pelas empresas “Tetra Projetos” e “Almeida & Fleury Consultoria” preveem projetos tanto com a demolição do Tobogã, quanto com sua manutenção. São três cenários principais: construções de uma Arena Multiuso, de um Complexo Multiuso e de um empreendimento abaixo do setor.

A Arena seria um espaço coberto com capacidade para 15 mil pessoas, com possibilidade para receber shows, partidas de tênis, basquete, vôlei, lutas, etc. Já o Complexo prevê a construção de três edifícios ligados por passarelas e, em um dos níveis, os interessados sugerem a instalação, entre outras coisas, de um “parque de ondas artificiais” ou um “simulador de queda livres” – “novas modalidades de entretenimento que tem potencial para atrair grande público”, segundo o projeto.

O terceiro cenário previsto é o único que manteria o Tobogã. As intervenções aconteceriam abaixo da estrutura. “Sugere‐se a instalação de uma academia de ginástica de primeiro nível ou um centro de treinamento esportivo, empreendimentos que podem atuar em conjunto com os demais equipamentos do complexo do Pacaembu, e, no caso da academia, atrair público da vizinhança”, diz o estudo.

Para o estádio em si, a ideia das empresas é “aproximá-lo, na medida do possível, dos padrões Fifa”. São citadas como reformas necessárias: sanitários, vestiários, cabines de imprensa, camarotes, instalação de assentos em todas as arquibancadas, além de melhorias na Praça Charles Miller (em frente ao Pacaembu).

Entidade sem fins lucrativos, a “Casa Azul”, que organiza a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), é outra que manifestou interesse no Pacaembu. Mauro Munhoz, diretor da associação, já foi o arquiteto por trás do projeto do Museu do Futebol, já instalado no estádio.

O estudo não prevê a demolição do Tobogã, e sim a substituição de sua estrutura por um “Edifício Multiuso”, a ser implantado sob as arquibancadas. A construção teria cinco andares, em que seriam instalados espaços como mercados alimentícios, restaurantes, cafés, lanchonetes, comércios, espaços para escolas e academias, espaços comerciais, espaços para convenções ou até estacionamentos – esse último item previsto no projeto como possibilidade, de acordo com a demanda.

“Os espaços das áreas de concessão podem se comunicar com o interior do estádio quando não há jogo, criando um passeio cheio de atividades comerciais ao redor do campo, animando e amplificando um fluxo que já existe entre a Praça Charles Miller e o Centro Poliesportivo. Nos dias de jogo, esse acesso é protegido por portas de aço antivandalismo (já experimentadas com sucesso na fachada do Museu do Futebol)”, justifica.

O plano também sugere a criação de uma “galeria linear multiuso que irá conectar os espaços públicos da Praça Charles Miller com o campo e a pista de atletismo, podendo funcionar como uma rua de serviços aberta à cidade”.

As empresas “SBP (Schlaich Bergermann Partner)” e “Fernandes Arquitetos Associados”, que já atuaram juntas na modernização do Maracanã, sugerem, principalmente, uma nova cobertura para o Pacaembu. No projeto, também estão previstas mudanças no Tobogã – uma com demolição, outra com reforma.

A cobertura, segundo o projeto, teria isolamento acústico (o que pode permitir que o estádio recebesse shows respeitando as restrições sonoras permitidas para a área em torno do estádio), seria retrátil e ainda contaria com a possibilidade de acesso de público – “para prática de esportes como caminhada e corrida e também para área de convivência e ponto de contemplação”.

Em relação ao Tobogã, a primeira proposta preservaria parte do setor e instalaria áreas sob as arquibancadas, e a segunda substituiria a construção por um “moderno edifício que possa receber com maior área disponível as mais diversas atividades” – são citados camarotes, áreas comerciais, restaurantes e espaços para eventos com vista para o campo de jogo e academias.

Os documentos referentes ao estudo preliminar da “Masterplan Consultoria de Projetos e Execução” são os que trazem menos detalhes dos planos da empresa para o Pacaembu. Entre os objetivos do estudo, por exemplo, a empresa cita “sustentabilidade econômica com a promoção de atividades que gerem recursos para custeio da manutenção”, sem dar, porém, exemplos nessa versão inicial.

Há imagens, contudo, que revelam a possibilidade de “fechar” o estádio, unindo o Tobogã aos demais setores; mais de um anel de arquibancadas (a ilustração deixa o Pacaembu parecido com o Camp Nou, do Barcelona); bem como a construção de uma edificação entre a arena e o Centro Poliesportivo. O projeto revela planos também para a Praça Charles Miller, com a ampliação do Museu do Futebol.

Fonte ESPN-UOL