Dusty Payne é salvo pelo brasileiro Guilherme Tâmega

Dusty Payne é salvo pelo brasileiro Guilherme Tâmega após grave acidente em Pipe. Foto: Tyler Rock/FreeSurf.

O ex-top mundial Dusty Payne é salvo pelo brasileiro Guilherme Tâmega, hexa mundial de bodyboard, após acidente no Hawaii. O havaiano é diabético e precisa de cuidados especiais.

Tudo parecia um wipeout “normal”, mas o que aconteceu foi quase trágico! Ex-top da elite mundial, o havaiano Dusty Payne sofreu ontem um grave acidente em Pipeline, na ilha havaiana de Oahu, ao cair em uma onda de cerca de 1,5m e bater a cabeça com força na bancada de pedras e corais, desmaiando em seguida.

“Ele caiu e não veio à superfície! Foi aí que eu gritei e nadei mais rápido que pude na direção de Dusty. Eu cheguei ao mesmo tempo que o Ulu Boy… Foi tudo tão rápido! De repente já havia 4 ou 5 surfistas a ajudar”, disse Keoki Saguibo, fotógrafo da revista Freesurf, que estava bem próximo no canal e, após a onda ter passado, reparou que algo estava errado e foi então que percebeu que Dusty estava inconsciente debaixo d’água.

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Guilherme Tâmega, hexacampeão mundial de bodyboard, que trabalha como salva-vidas na praia, também observou que o havaiano não voltou à superfície depois de entrar em um tubo de Backdoor. Tâmega correu com a sua equipe para fazer o resgate, pôs os pés de pato e mergulhou no mar. Alguns amigos de Dusty conseguiram puxá-lo do fundo e receberam o auxílio do experiente brasileiro na zona de impacto.

O havaiano estava inconsciente quando foi carregado até a areia. O atendimento foi feito ali. Havia muito sangue, escoriações e cortes na cabeça do surfista, e suspeita é de concussão. Como o Dusty é diabético, o tratamento precisou de cuidados especiais. Depois de ser reanimado na praia, o ex-integrante da elite foi encaminhado de ambulância para o Queen’s Medical Center, hospital situado em Honolulu, do outro lado da ilha de Oahu.

Tâmega, de short vermelho e sem camisa, faz o resgate a Payne junto com outros salva-vidas após o grave acidente. Foto: Tyler Rock/FreeSurf.

“Eu vi que ele caiu na onda de Backdoor e notei que ele não subiu. A prancha dele subiu, mas ele não, uma típica coisa que acontece quando a pessoa desmaia embaixo da água. Na hora, a gente pulou no quadriciclo e correu o mais rápido possível. Botei o pé de pato e pulei dentro da água. Geralmente, quando isso acontece, as pessoas que estão na água com a vítima chegam antes para tirar a pessoa debaixo da água o mais rápido possível. As chances de sobrevivência são maiores. Quando eu cheguei nele, os amigos já estavam segurando-o. Segurei os amigos e ajudei-os a trazer o corpo para a beira. Fizemos o procedimento padrão. Foi um trabalho em equipe”, contou Tâmega.

Dusty ingeriu muita água, mas respirava e teve a cabeça imobilizada (com o corpo a ser estabilizado e colocado na prancha de primeiros socorros). Recebeu oxigênio, massagem cardíaca e apresentava convulsões que podem ter a ver com o fato dele ser diabético, mas também pode indicar uma suspeita de traumatismo craniano. O havaiano também apresentava mazelas no maxilar (eventualmente uma fratura). 

“Ele estava com muitos cortes na cabeça. Seguramos a cabeça dele e vimos se ele estava respirando. Ele estava tendo convulsão, é diabético… Parece que teve traumatismo craniano, o maxilar também parece ter quebrado. Fizemos a respiração cardíaca, viramos ele de lado, o corpo começou a reagir, ele voltou a respirar e conseguimos depois de muito trabalho ir estabilizando a situação. Fizemos a recuperação do corpo. Ele tinha ingerido muita água. Esse é o procedimento até a ambulância chegar: colocar o paciente na prancha de primeiros socorros, realizar a estabilização e depois colocá-lo na ambulância com máscara de oxigênio”, explicou o salva-vidas brasileiro.

Dusty Payne. Foto: Sherman/WSL.
Dusty Payne. Foto: Sherman/WSL.

Depois de ser reanimado na areia e recobrar os sentidos,Dusty saiu de maca e foi para o hospital e as primeiras palavras tranquilizaram os que estavam ao seu redor. “Vou ficar bem”, disse o havaiano, com dificuldade, antes de entrar na ambulância.

Há exatamente um mês atrás, Dusty Payne venceu as triagens em Pipeline e este episódio apanhou-o completamente desprevenido. Ano passado, o havaiano esteve muito tempo parado devido a uma cirurgia às costas e que, apesar de recuperado, ainda havia muito trabalho a fazer pela frente.

Dusty Payne durante o Billabong Pipe Masters ano passado. Foto: Poullenot/WSL.

Fonte: globoesporte.globo.com e surftotal.com