“Difícil, mas não impossível” – Jadson André

Jadson voando em Pipeline. Foto: Cestari/ WSL.

“Difícil, mas não impossível”. É assim que o surfista potiguar vê a possibilidade de  terminar o ano entre os 22 melhores do ranking, mas ele quer surfar sem pressão: “Quero aproveitar, surfar de boa, tranquilo”.

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Um dos mais experientes surfistas brasileiros, o potiguar Jadson André tem o seu futuro ameaçado oito anos depois de entrar na elite. Para permanecer no Circuito Mundial, o local de Vila de Ponta Negra precisa vencer o Pipeline Masters, a decisiva das 11 etapas no Tour que definirá o campeão mundial de 2017 e os últimos classificados para o WCT de 2018.  Atualmente Jadson ocupa  a 32ª posição no ranking mundial e tem de ficar no Top-22 para se manter no circuito na próxima temporada.

Jadson André. Foto: Heff/WSL

Jadson André. Foto: Heff/WSL

“Eu preciso do meu melhor resultado dos últimos anos aqui em Pipe. Foi há três anos atrás uma final na França, em Hossegor, e é o que eu preciso aqui (foi à final com John John Florence em 2014). Não tem porque ficar nervoso ou ansioso. Pois isso não vai ajudar em nada. Eu já estou aí no circuito há um bom tempo e sei que as vezes que os competidores ficam nervosos tomam decisões que não são as melhores. Eu não posso mais errar, e tenho que fazer a final aqui. Sei que é difícil, mas não impossível”, falou Jadson, que entrou para elite em 2009.

O surfista potiguar na final em Hossegor me 2014. Foto: Kisrtin/WSL.

A vida nunca foi fácil para Jadson. Depois de dar os primeiros passos no esporte por influência do tio, no início ele surfou escondido dos pais, pois eles temiam que o seu futuro fosse destruído com uma atividade marginalizada e associada às drogas.

Jadson André tem suporte da família Foto: Isadora Rocha/http://globoesporte.globo.com

Jadson André tem suporte da família Foto: Isadora Rocha

Mas aos poucos o potiguar foi ganhando o seu espaço, viajou o mundo e encontrou no surf uma forma de mudar a vida de seus familiares. O pai trabalhava como pedreiro, pintor, marceneiro, cavava poços e fazia de tudo um pouco, enquanto a mãe era empregada doméstica.

Se antes a família vivia com um salário de R$ 400 e morava em uma casa com um quarto e um banheiro, hoje, os pais, irmãos e sobrinhas têm uma vida confortável graças à ajuda do atleta. Inspiração não só no Nordeste como no Brasil, Jadson conseguiu se manter por quase uma década entre os melhores do mundo.

Foi rebaixado em 2012, voltou em 2014 e esteve por um fio no ano passado, quando viu a sua classificação ameaçada por uma lesão no tornozelo. Ele só garantiu a classificação no fim da temporada, na última oportunidade. Confira abaixo o vídeo:

O potiguar não foi na etapa de Margaret River, Austrália, e competiu machucado nas etapas seguintes em busca de pontos para permanecer no grupo dos 34 tops da elite. Sem a vaga pelo WCT, ele apostou as fichas na segunda etapa da Tríplice Coroa Havaiana, o QS 10000 em Sunset Beach, na ilha de Oahu.

Momento de êxtase de Jadson após boa onda em Sunset Beach no ano passado. Foto: Cestari/ WSL

Jadson foi à semifinal e confirmou sua posição no G-10 da divisão de acesso (QS), carimbando o passaporte para no WCT de 2017.

“Quero aproveitar, surfar de boa, tranquilo”, diz Jadson André
O potiguar mantém o  o sorriso no rosto mesmo nos momentos de maior dificuldade. Foto: Cestari/WSL

O potiguar mantém o o sorriso no rosto mesmo nos momentos de maior dificuldade. Foto: Cestari/WSL

Um dos surfistas mais queridos no circuito, Jadson nunca deixou de lado o espírito leve e o sorriso no rosto mesmo nos momentos de maior dificuldade. E é assim que ele encara o Pipeline Masters deste ano.

Esta poder ser a última chance de surfar as ondas de Pipeline e Backdoor  no campeonato, portanto, ele quer fazer da experiência a melhor possível.

“Espero que seja um evento legal para mim. Eu sei que é difícil permanecer para o ano que vem, estou ciente disso, mas bem tranquilo e com a cabeça no lugar, preparado para o que der e vier. Conversando com os meus amigos e familiares, a chance deste ser o meu último WCT nos próximos 12 meses são grandes, então, eu não quero fazer desse evento tenso, chato ou para ficar triste, na pressão. Eu quero aproveitar, surfar de boa, tranquilo. É uma oportunidade incrível estar mais um ano surfando Pipeline e Backdoor só com outro atleta, e eu vou fazer de tudo para fazer um evento alucinante. Vou entrar relaxado para tentar fazer o meu melhor lá dentro em busca do melhor resultado, disse o potiguar.

O potiguar em sintonia com o Hawaii

As ondas fortes e tubulares da costa norte havaiana se encaixam com o seu estilo, assim como as etapas de Fiji e Teahupoo, no Tahiti. Especialista em tubos, Jadson também tem em seu repertório um arsenal de aéreos e manobras modernas, que podem ser usadas se for preciso.

Nos canudos de Fiji. Foto. Cestari/WSL.

“Pipe, Backdoor e Fiji são as ondas que eu mais me sinto à vontade no Circuito Mundial. Eu nunca consegui fazer um resultado assim tão incrível como uma final ou vencer o evento, é uma coisa que me incomoda um pouco, porque sem dúvidas essas condições são o meu forte, é o que mais se encaixa no meu surfe. Quem sabe, não vai ser dessa vez, na hora que eu mais preciso?”, disse o atleta.

O surfista potiguar ainda acrescentou: “As coisas sempre aconteceram quando eu realmente precisava fazer essas loucuras. Eu espero que não seja diferente esse ano. Sei que é muito difícil, ainda mais aqui, um lugar difícil de competir. Você tem de estar no lugar certo, mas estou há um bom tempo no circuito e sei o que tenho que fazer para chegar à final. Vou fazer de tudo para pegar dois tubos irados por bateria. É tudo o que eu preciso. Se não tiver tubo, vou para o aéreo, floater, batida, cutback, o que tiver a gente vai bater com força e fazer de tudo – acrescentou.

Por globoesporte.globo.com