Conheça um pouco da história e curiosidades sobre Saquarema

Praia de Itaúna. Foto: Luiz Blanco. 

Conheça as histórias e curiosidades de Saquarema. Desvendada pelos surfistas do Arpoador na década de 70, suas ondas recebem, a partir de amanhã, a etapa brasileira do Circuito Mundial após seis anos consecutivos sendo realizada no Postinho, na Barra da Tijuca.

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Com certeza Saquarema é um dos melhores picos de surf do Brasil. Na década de 70, os surfistas mais aventureiros do Rio faziam expedições para desbravar suas ondas, quando o local apenas tinha poucas casas de pescadores e ainda mal tinha qualquer tipo de estrutura. Naquela época, ir para Saquá era uma viagem longa, de acesso remoto, mas alimentava a alma daqueles que eram considerados os “malucos beleza”, que passavam dias acampados nas areias de Itaúna e da Praia da Vila.

Essa duas praias, separadas pela Igreja Nossa Senhora de Nazaré e pelo canal que liga a Lagoa de Saquarema ao mar,  sempre  proporcionaram  boas ondas independentemente da direção da ondulação ou vento. Se uma estivesse ruim, a outra provavelmente estava melhor. Logo a fama de Saquarema se estendeu e o pico virou palco de festivais de surf durante a década 70, com suas ondas perfeitas e poderosas tornando-se o principal atrativo turístico do lugar.

E agora, em 2017, após etapas muito prestigiadas do QS nos anos anteriores, chegou a vez de Saquá receber a elite do surf para a etapa brasileira do Circuito Mundial e dar um show nas onda de Itaúna, onde fica o palanque principal do evento. O pico alternativo será na Barrinha, em frente à associação de surf local.

Visão panorâmica de Saquarema. Foto: Google Maps.

A origem do nome Saquarema

Existem diferentes interpretações para a origem do nome Saquarema. Alguns afirmam que vem de socoa-y-rema (Lago sem Conchas, na língua indígena), dado pelos índios Tamoios, os primeiros habitantes da região. Já outros remetem à abundância dos pássaros Socó. Apelidaram a lagoa de socó-rema, referente ao bandos de socós, ave pernalta abundante na lagoa naquela época.

A famosa igrejinha é uma reformulação da capela Nossa Senhora de Nazaré, que foi erguida pela ocupação portuguesa em 1675. E  até a chegada dos fissurados surfistas atrás das ondas perfeitas da região, a “vila” de Saquarema produzia café por meio de mão de obra escrava. Instalada a república e extinta a escravidão, seus habitantes fizeram da pesca atividade principal.

Praia da Vila. Foto: Smorigo/WSL.

 A DESCOBERTA DO PICO PELOS SURFISTAS

O Lendário Maraca, um dos desbravadores de Saquarema. Foto: Reprodução Facebook.

A descoberta das ondas de Saquarema pela turma do Arpoador foi natural. Como Saquá fica no meio do caminho de Búzios e Cabo Frio, já conhecidos, alguns personagens daquela época, como Pepê Lopes, Tico Cavalcanti, Octávio Pacheco, Maraca, entre outros, toparam com as esquerdas de Itaúna, que quebravam com longas paredes de água, manobráveis e com pressão diferente das ondas do Rio.

Itaúna tem uma geografia que favorece a potência das ondas. Naquele tempo  todo mundo sabia que quem pegava onda em Saquarema estava um nível acima dos demais. As ondas eram melhores, maiores e mais desafiadoras”, relembra Tico Cavalcanti, pioneiro na confecção de bermudas de surf no Brasil.

uma missão e tanto para chegar às ondas de saquá

Mas na década de 70 para chegar ao “pico dos sonhos” era uma missão e tanto! Os 116 km de distância do Rio significavam muitas horas de aventura. Mesmo numa época sem tecnologia de previsão de ondas, as chances de ganhar a recompensa pelo esforço eram grandes.

“A galera ia para acampar, ficar na areia da praia, de frente para as ondas. Geralmente íamos num fusquinha lotado, outras vezes na raça com nossas tralhas até o Cais do Porto e atravessávamos a Baía de Guanabara, de barca, até Niterói. De lá, a gente andava uns 15 quarteirões até a rodoviária (risos). As pranchas iam no bagageiro do ônibus até Bacaxá, de onde pegávamos uma última condução até a Praia da Vila. Da Vila, dávamos um jeito de chegar em Itaúna”,  explica Tico.

304517_677366_img_0487Raoni Monteiro é um famoso local do pico. Foto:Nilton Gibão.

SAQUAREMA – ROTEIRO DE SURF NO PAÍS

Com o aumento desses aventureiros indo para Saquarema, começou o movimento de aluguel de casas dos pescadores. Esse foi o primórdio do turismo na região. Depois vieram os festivais de surf, com campeonatos, shows e outros entretenimentos. A partir daí, Saquá entrou no roteiro do surf nacional, sempre considerado um dos melhores points do Brasil. Em 2002, Itaúna recebeu o mundial e, de lá pra cá, muitas etapas do QS sempre muito prestigiadas. O australiano Taj Burrow faturou o caneco do único campeonato em Itaúna destinado à elite do surfe. Na edição, o brasileiro Rodrigo “Pedra” Dornelles ficou em quinto.

A arena do Oi Rio Pro em Saquarema já está pronta para a apresentação dos melhores surfistas do mundo. A janela de espera do evento começa amanhã, terça-feira (09), e vai até 20 de maio. Os campeões mundiais Gabriel Medina e Adriano de Souza foram escalados nas duas primeiras baterias da primeira fase. Confira!

Adriano de Souza dominando as ondas de Itaúna. Foto: WSL.

PRIMEIRA FASE DO OI RIO PRO 2017 EM SAQUAREMA:
1.a: Gabriel Medina (BRA), Frederico Morais (PRT), Ethan Ewing (AUS)
2.a: Adriano de Souza (BRA), Ezekiel Lau (HAV), Nat Young (EUA)
3.a: Owen Wright (AUS), Wiggolly Dantas (BRA), Jadson André (BRA)
4.a: Kolohe Andino (EUA), Jeremy Flores (FRA), Leonardo Fioravanti (ITA)
5.a: Jordy Smith (AFR), Josh Kerr (AUS), Jessé Mendes (BRA)
6.a: John John Florence (HAV), Jack Freestone (AUS), vencedor da triagem
7.a: Filipe Toledo (BRA), Adrian Buchan (AUS), Ian Gouveia (BRA)
8.a: Matt Wilkinson (AUS), Connor O´Leary (AUS), Joan Duru (FRA)
9.a: Joel Parkinson (AUS), Mick Fanning (AUS), Bede Durbidge (AUS)
10: Kelly Slater (EUA), Conner Coffin (EUA), Kanoa Igarashi (EUA)
11: Michel Bourez (TAH), Caio Ibelli (BRA), Stu Kennedy (AUS)
12: Sebastian Zietz (HAV), Julian Wilson (AUS), Miguel Pupo (BRA)

Fonte globoesporte.com