Como se tornar um campeão…

Livro conta a trajetória de Adriano de Souza, da infância pobre no Guarujá à conquista do título mundial de surfe. Foto: Rafaski.

Livro retrata a trajetória de Adriano de Souza, da infância pobre no Guarujá à conquista do título mundial de surfe. A história do surfista Adriano de Souza, o Mineirinho, não pode ser contada sem que se dê destaque a palavras como superação, resiliência e garra

Criado em uma comunidade pobre do litoral paulista, o atleta venceu diversas limitações e enfrentou inúmeros preconceitos antes de conquistar o título mundial nos desafiadores mares do Havaí.

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Em “Como se tornar um campeão”, livro inscrito por Márcia Vieira, a jornalista reconstrói em detalhes a improvável trajetória de Adriano, o brasileiro que há mais tempo se mantém na elite do surfe internacional. A obra chega às livrarias neste mês de abril pela Intrínseca.

Como se tornar um campeão – Adriano começou a pegar onda aos 8 anos de idade. Frequentava as praias do Guarujá na companhia do irmão mais velho, que não media esforços para afastá-lo dos perigos e das tentações da comunidade. A possibilidade de o menino se tornar ladrão ou traficante atormentava a família. A tática deu certo: Adriano nunca mais abandonou o mar.

Nada parecia indicar, entretanto, que se tornaria uma estrela. Quando criança, Adriano não tinha dinheiro para as aulas da escolinha de surfe. Na adolescência, era baixinho, mirrado e malnutrido, o que reduzia sua capacidade aeróbica. Por não falar inglês, Adriano teve diversas dificuldades nas suas primeiras viagens internacionais e muitas vezes passou pelo constrangimento de não conseguir responder às perguntas dos jornalistas. Acabou levando fama de arrogante. Aos poucos foi notando também que, em um esporte de tradição americana e australiana, ele, um atleta brasileiro, mesmo depois de acumular títulos importantes, não era exatamente bem-vindo.

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A obra chega às livrarias neste mês de abril. Foto: Divulgação.

O livro de Márcia Vieira mostra como Adriano, o menino criado numa favela do Guarujá, transformou dor em estímulo, precariedade em força e preconceito em superação. Aos 12 anos, venceu o Circuito Paulista de Surfe Amador. Aos 16, fez história como o mais jovem atleta a ganhar o Mundial Junior. Em 2006, aos 19, entrou para a elite do surfe internacional e começou a pegar onda ao lado de feras como Kelly Slater e Mick Fanning. Em 2015, realizou o sonho de ser campeão do mundo e ainda se tornou o único brasileiro a vencer o Billabong Pipe Masters — a lendária etapa da competição disputada nas ondas de Pipeline, no Havaí. E essas são só algumas das suas vitórias.

“A conquista do Pipe Masters e do troféu de campeão do mundo no Havaí lhe deram uma enorme paz. Sabe que sua conquista foi gigantesca. Isso lhe basta. Não se lamuria por não ter protagonizado reportagens ou brilhado em fotos nas capas das principais revistas de surfe dos Estados Unidos e da Austrália, ao contrário do que aconteceu com os outros campeões”, afirma Márcia no livro. “(…) No panorama do surfe competitivo, calcula que terá mais de uma década pela frente brigando por conquistas. Quando achar que não é mais um surfista competitivo, prefere sair da disputa. O espírito que o levou tão longe continua comandando sua carreira.”

Considerado o líder da chamada Brazilian Storm — a leva de surfistas nacionais que em 2011 começou a invadir o ranking dos melhores do mundo —, Adriano é visto pelos colegas como um exemplo de determinação e seriedade. Como se tornar um campeão deixa claro que sua maneira de encarar a profissão vai inspirar também as futuras gerações do surfe.

A jornalista – Márcia Vieira é carioca, formada em jornalismo pela UFRJ. Começou sua carreira no Jornal dos Sports e em seguida trabalhou na redação de O Globo. Ao longo de trinta anos de profissão, passou pelo Jornal do Brasil, foi editora da Veja Rio, repórter especial de O Estado de S. Paulo e repórter da coluna Ancelmo Gois (O Globo).

Fonte waves.com.br