Caio Ibelli: luta “invisível” há sete meses

Após vitória, Caio disse que surfará mais tranquilo. Foto: Carol Fontes.

Caio Ibelli está há sete meses tentando tratamentos para curar tornozelo direito, de fisioterapia a injeções de cortisona. O paulista precisa ficar no G-22 para se manter na elite no ano que vem.

Algoz do campeão mundial Adriano de Souza em sua estreia no Billabong Pipeline Masters, última etapa do Circuito Mundial de 2017, Caio Ibelli vive uma luta “invisível” há sete meses.

Local do Guarujá, Ibelli machucou o tornozelo direito em uma viagem para El Salvador em maio deste ano, mas ainda não se curou da lesão. Até agora foram diversos  tratamentos, de fisioterapia e injeções de cortisona.

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O surfista está competindo em Pipe com uma faixa de proteção e aguarda o fim da temporada para engessar a perna por 20 dias. É a última tentativa antes de partir para a cirurgia, mas ele está confiante no processo de recuperação.

Detalhe da faixa usada pelo surfista para proteger o tornozelo direito na competição. Foto: Carol Fontes. .

Apesar das dores, Caio Ibelli tem mantendo uma ótima performance dentro d’água. Na sétima bateria da da primeira fase do Pipe Masters, ele derrotou seu compatriota Adriano e o australiano Jack Freestone, avançando direto à terceira fase do evento. Atual 18º do ranking mundial, Ibelli precisa ficar entre 22 melhores e defende o seu posto na zona de classificação. O seu próximo rival será definido na repescagem.

A BATERIA CONTRA ADRIANO DE SOUZA E O AUSSIE JACK FREESTONE NO ROUND 1 EM PIPE: https://youtu.be/iFQgyTgW-UM

 

” Ir para o Round 3 me deixa mais tranquilo, consegui passar de fase e somar pontos. Vou surfar mais calmo e aproveitar. Eu acho que o bom de tudo isso é estar surfando sozinho em Pipeline, isso é o que a gente tem que aproveitar, surfar bateria e agora é só acreditar. Geralmente, quando você está treinando, tem 150 pessoas na água. Estou em 18º e esses pontos são importantes. Os meus pais estão aqui, estou em volta de amigos, numa vibe boa, aproveitando o Hawaii”, contou o surfista.

Caio Ibelli surfou muito e conquistou o vice-campeonato na etapa de Bells Beach. Foto: Sloane/ WSL.

Vice-campeão em Bells Beach na Austrália este ano, Caio Ibelli abdicou de competir em Fiji, mas disputou as etapas seguintes com sacrifício. Vem carregando a lesão por um longo período e não conseguiu explorar todo o seu potencial. “É um pouco difícil, eu fiz muitos tratamentos diferentes para tentar fazer com que a lesão cure mais rápido. Infelizmente, nesta semana, os médicos disseram que eu teria e fazer um procedimento e engessar o meu pé por 20 dias. Eu não estava esperando. Eles falaram que era a última tentativa antes da cirurgia, mas eu estou bem confiante de que vai certo”, explicou.

Comemorando o vice-campeonato em Bells. Foto: Cestari/WSL.
Comemorando o vice-campeonato em Bells. Foto: Cestari/WSL.

O surfista paulista completa: “Tomara que eu melhore para estar 100% no ano que vem. O Hawaii é como a minha segunda casa. Eu venho para cá bastante, é um lugar que eu gosto muito e eu me sinto bem em casa. É até difícil pensar que alguma hora eu tenha que ir embora. Eu gosto muito desse lugar, a água é quente, tem altas ondas e agora é aproveitar a oportunidade de surfar aqui sozinho. Quero me divertir e terminar bem o ano.”

Caio não esperava estar com dor a esta altura do campeonato, ainda mais depois de tantos tratamentos. Um deles foi o PRP (Plasma Rico em Plaquetas), uma terapia da medicina regenerativa muito utilizada por atletas de ponta. As injeções intra-articulares são um alternativa para a intervenção cirúrgica e costumam ter efeito duradouro, mas o incômodo voltou.

Caio nas ondas de Sunset Beach durante o QS 10000 Vans World Cup of Surfing. Foto: Keoki/WSL.

“Eu fiz sessão de fisioterapia e fiz a injeção de cortisona, que geralmente dura bastante, mas no meu pé só durou um mês antes da dor voltar. Fiz também o que eles chamam aqui de PRP, que é uma injeção de plasma. Eles tiram bastante sangue do corpo, passam numa máquina, oxigenam o sangue e injetam na lesão. Nesse próximo passo, vamos tentar esse PRP de novo e, em vez de deixar o meu pé solto, vou engessar. Estou confiante de que vai dar certo. Infelizmente, vou ter de aproveitar 20 dias de férias em alguma coisa. Vou ter que fazer alguma coisa produtiva”, explicou.

Ibelli durante a bateria contra Mineiro e Freestone no Round 1 do Pipeline Masters. Foto: Poullneot/WSL.

O plano inicial era treinar e se preparar para a temporada de 2018 ao fim do Pipeline Masters, mas o surfista terá de ficar 20 dias de molho. Para não enlouquecer no período de ócio, Caio planeja pescar, jogar golfe e e tirar um pouco o pé da água para se curar para o ano que vem. Outros passatempos de que gosta, mas também terá de evitar, são o mergulho e o tênis.

Caio Ibelli e Miguel Pupo foram os únicos de seis brasileiros a vencer na estreia no Hawaii. Na briga pelo bicampeonato mundial, Gabriel Medina tropeçou e terá de disputar a repescagem, e outros dois ainda vão competir pela primeira fase: Ítalo Ferreira e Ian Gouveia.

Após o fim do Pipe Masters, o surfista paulista vai ter que ficar longe das ondas durante um período para tratar da lesão. Foto: Poullenot/WSL.

A próxima chamada para o reinício das disputas em Pipe foi marcada para manhã, quinta-feira (14/12),às 15h30 no horário de verão do Brasil. Confira o evento ao vivo direto do Hawaii, clicando AQUI.

PRIMEIRA FASE DO BILLABONG PIPE MASTERS – Vitória=Terceira Fase / 2.o e 3.o=Segunda Fase:

1.a: 1-Jeremy Flores (FRA)=10.17, 2-Jadson André (BRA)=6.33, 3-Matt Wilkinson (AUS)=4.67

2.a: 1-Josh Kerr (AUS)=12.17, 2-Kanoa Igarashi (EUA)=6.10, 3-Owen Wright (AUS)=3.37

3.a: 1-Conner Coffin (EUA)=10.56, 2-Julian Wilson (AUS)=8.00, Stuart Kennedy (AUS)=1.50

4.a: 1-Jordy Smith (AFR)=16.57, 2-Bede Durbidge (AUS)=11.43, 3-Ethan Ewing (AUS)=3.00

5.a: 1-Miguel Pupo (BRA)=14.83, 2-Benji Brand (HAW)=12.64, 3-Gabriel Medina (BRA)=12.43

6.a: 1-John John Florence (HAW)=13.50, 2-Dusty Payne (HAW)=6.83, 3-Wiggolly Dantas (BRA)=5.63

7.a: 1-Caio Ibelli (BRA)=12.83, 2-Adriano de Souza (BRA)=11.27, 3-Jack Freestone (AUS)=7.04

8.a: 1-Kelly Slater (EUA)=12.47, 2-Joan Duru (FRA)=11.90, 3-Kolohe Andino (EUA)=7.60

9.a: 1-Ezekiel Lau (HAW)=10.50, 2-Filipe Toledo (BRA)=2.00, 3-Michel Bourez (TAH)=2.00

——–baterias que ficaram para abrir a quinta-feira:

10: Sebastian Zietz (HAW), Adrian Buchan (AUS), Ian Gouveia (BRA)

11: Joel Parkinson (AUS), Connor O´Leary (AUS), Leonardo Fioravanti (ITA)

12: Mick Fanning (AUS), Frederico Morais (PRT), Ítalo Ferreira (BRA)

SEGUNDA FASE – Vitória=Terceira Fase e Derrota=25.o lugar com 500 pontos e US$ 10.000:

1.a: Gabriel Medina (BRA) x Dusty Payne (HAW)

2.a: Owen Wright (AUS) x Ethan Ewing (AUS)

3.a: Julian Wilson (AUS) x Benji Brand (HAW)

4.a: Matt Wilkinson (AUS) x Stuart Kennedy (AUS)

5.a: Adriano de Souza (BRA) x Jadson André (BRA)

6.a: Kolohe Andino (EUA) x Jack Freestone (AUS)

7.a: Filipe Toledo (BRA) x

—-o adversário de Filipe e as outras cinco baterias ainda não foram definidos

TOP-22 DO JEEP WSL LEADERBOARD – 10 etapas:

1.o: John John Florence (HAW) – 53.350 pontos

2.o: Gabriel Medina (BRA) – 50.250

3.o: Jordy Smith (AFR) – 47.600

4.o: Julian Wilson (AUS) – 45.200

5.o: Owen Wright (AUS) – 39.850

6.o: Matt Wilkinson (AUS) – 39.450

7.o: Adriano de Souza (BRA) – 36.600

8.o: Kolohe Andino (EUA) – 36.000

9.o: Filipe Toledo (BRA) – 35.450

10: Sebastian Zietz (HAW) – 34.450

11: Joel Parkinson (AUS) – 33.100

12: Mick Fanning (AUS) – 33.000

13: Frederico Morais (PRT) – 29.900

14: Connor O´Leary (AUS) – 28.700

15: Adrian Buchan (AUS) – 26.500

16: Michel Bourez (TAH) – 23.700

17: Joan Duru (FRA) – 23.400

18: Caio Ibelli (BRA) – 21.750

19: Jeremy Flores (FRA) – 21.450

20: Kanoa Igarashi (EUA) – 21.200

21: Conner Coffin (EUA) – 21.000

22: Bede Durbidge (AUS) – 20.200

———–outros brasileiros:

23: Miguel Pupo (SP) – 18.900 pontos

24: Wiggolly Dantas (SP) – 18.700

25: Italo Ferreira (RN) – 17.700

27: Ian Gouveia (PE) – 14.250

32: Jadson André (RN) – 11.750

36: Yago Dora (SC) – 7.000

38: Jessé Mendes (SP) – 2.250

44: Bino Lopes (BA) – 1.000

45: Samuel Pupo (SP) – 500

Por globoesporte.globo.com