Bodyboarder Danielle Fonseca lança ‘Videoarte’ no Museu Casa das Onze Janelas

Fabrício Lima nas ondas da Ilha do Mosqueiro Pa. Foto Divulgação

Videoarte de Danielle Fonseca mistura Posseidon, abelhas e Jards Macalé

Publicidade

Realizado graças a um prêmio da Fundação Cultural do Pará, a videoarte “Posseidon é cabra, abelha e o movimento dos barcos”, de Danielle Fonseca, indicada ao Prêmio PIPA esse ano, estreou na semana passada Museu Casa das Onze Janelas, onde é exibida até o fim de janeiro do ano que vem.
A obra, que partiu inicialmente de pesquisa sobre a natureza dos seres flutuantes, representa um verdadeiro mosaico de referências, que vão desde os seres mitológicos do título (o deus grego Posseidon e a cabra, símbolo do signo de Capricórnio), aos músicos Waly Salomão, Maria Bethânia, Péricles Cavalcanti e Jards Macalé.

convite-posseidon-e-cabra-abelha-e-o-movimento-dos-barcos-daniellefonseca

Leia abaixo um texto sobre o processo criativo da obra:

“A artista visual Danielle Fonseca lança seu novo filme “Posseidon é cabra, abelha e o movimento dos barcos”, o trabalho é resultado do Prêmio de Produção e Difusão Artística 2016 da Fundação Cultural do Pará. A ideia inicial era a de pesquisar a natureza de seres flutuantes, seres que segundo a artista “possuem a água, o voo, o deslize como verdade, como os mergulhadores, nadadores, e outros”, mas durante o processo (eis as hipóteses), o trabalho acabou rumando para algumas leituras dramatúrgicas que serviram para ampliar a questão do que seria afinal essa flutuação. Danielle buscou então a filosofia do teatro do absurdo e um pouco da literatura surrealista para compor o roteiro do vídeo, que começa com o mito de Posseidon, só que à maneira da composição de Péricles Cavalcanti, que participa do vídeo através de uma conversa gravada e enviada por um aplicativo de celular (whatsapp) à Danielle, no segundo ato, A Cabra, neste caso, a cabra do mar ou capricórnio, signo da artista e símbolo forte de seres que flutuam da água até a montanha. Nesta cena há um poema de Danielle lido pelo cantor e compositor Jards Macalé, “esta égua que pasta a geografia, velho amigo, é uma cabra”. O vídeo foi dividido em quatro atos, uma nítida homenagem ao teatro, no terceiro ato, a abelha reina, sim a abelha rainha Maria Bethânia estampada na camiseta de um surfista, Fabricio Lima, que desliza lindamente nas ondas da Ilha do Mosqueiro com a cantora gravada no peito, essa cena por mais absurdo que pareça surgiu de um livro de Paul Valery diz a artista, “quem é que reina então entre as abelhas?”, e a letra “Mel” de Waly Salomão não me saiu mais da cabeça. O último ato desde o nome faz alusão à composição de Jards Macalé e Capinam “Movimento dos Barcos” escrita em 1972 e que vem acompanhada com uma fala de Karoline Meyer campeã mundial de mergulho de apneia, “esta música não podia ficar de fora”, para Danielle esta letra ilustra não somente a cena silenciosa do filme, gravada a 100 metros no fundo do mar, cena cedida por Karoline, mas esta música é todo esse ano surreal de 2016, como diria o teatro do absurdo “a vida não carrega necessariamente um só significado”. A pesquisa terá ainda textos da historiadora Bárbara Palha e do curador de arte Raphael Fonseca e estarão numa publicação que deve ser lançada em janeiro.”

“Posseidon é cabra, abelha e o movimento dos barcos”, de Danielle Fonseca
Em cartaz de 16 de dezembro de 2016 a 29 de janeiro de 2017

Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/no
Funcionamento: seg – sex, 10h às 16h; sáb & dom, 9h às 13h
T: (91) 4009-8825
onzejanelas@gmail.com
Fonte premiopipa.com