Americano vence o histórico Hang Loose Pro Contest 30 Anos

Kanoa Igarashi (Foto: Daniel Smorigo – WSL)
By João Carvalho

O norte-americano Kanoa Igarashi, 19 anos, é o campeão do histórico Hang Loose Pro Contest 30 Anos na Praia da Joaquina, em Florianópolis. Ele surfou as melhores ondas que entraram na decisão Brasil x Estados Unidos para derrotar o potiguar Jadson André, 26 anos, por 15,84 a 13,37 pontos e faturar o prêmio máximo de 25.000 dólares. Uma multidão lotou a Praia da Joaquina novamente no domingo, relembrando aquele campeonato inesquecível de 1986 que trouxe o Circuito Mundial de volta para o Brasil. A vitória no QS 6000 de Santa Catarina garantiu a permanência de Kanoa Igarashi na elite da World Surf League para o ano que vem e a liderança isolada no ranking do WSL Qualifying Series.

“É uma sensação incrível ganhar de novo aqui no Brasil e foi muito parecido com o ano passado, quando eu precisava de um bom resultado para me classificar para o CT”, disse Kanoa Igarashi, que ocupava um perigoso oitavo lugar na lista dos dez indicados pelo WSL Qualifying Series para a elite dos top-34 do CT. “Agora eu posso ir para o Havaí sem pressão por resultados lá. Eu gosto muito das ondas daqui, das pessoas, da comida e eu falo português, então isso ajuda também. Eu e o Griffin (Colapinto) somos bem amigos, ficamos no mesmo quarto aqui e ele me carregou nos ombros pela praia. Foi muito legal e eu faria a mesma coisa se ele tivesse vencido o campeonato”.

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Esta foi a segunda vez que Kanoa Igarashi confirma sua vaga no CT no Brasil. No ano passado, ele entrou na elite dos top-34 da World Surf League com a vitória conquistada no QS 6000 da Bahia, em Itacaré. Agora, garante sua permanência com outro título em águas verde-amarelas, dessa vez no campeonato mais emblemático da história do surfe brasileiro. O americano foi um dos destaques nas ondas da Praia da Joaquina em todos os dias que competiu, sempre conseguindo notas altas para liquidar seus adversários em Florianópolis.

O potiguar Jadson André também faz parte da elite deste ano e, como Kanoa Igarashi, não está conseguindo garantir sua permanência entre os 22 primeiros no ranking do CT que são mantidos na elite. Com os 4.500 pontos do vice-campeonato no Hang Loose Pro Contest 30 Anos, Jadson saltou da 58.a para a 22.a colocação no WSL Qualifying Series, aumentando bastante as chances de confirmar sua vaga nas duas etapas do QS 10000 que vão fechar a temporada no Havaí. Até porque ele ainda não completou os cinco resultados que são computados, enquanto todos que estão à sua frente estarão trocando pontos na Tríplice Coroa Havaiana.

Jadson André (Foto: Daniel Smorigo - WSL)
Jadson André (Foto: Daniel Smorigo – WSL)

“Foi fenomenal fazer uma final aqui no Brasil e é sempre uma sensação muito boa poder surfar em frente da melhor torcida do mundo”, disse Jadson André. “Claro que eu gostaria de ter vencido o campeonato, mas não posso reclamar, o segundo lugar ainda é um bom resultado e parabéns para o Kanoa (Igarashi), que surfou muito durante toda a semana. Eu estava bem fraco no início, meio doente e ainda bem que teve um ‘day off’ (quinta-feira) pra me recuperar. Depois fui melhorando a cada dia e minhas notas refletiram isso. Eu quero manter minha vaga no CT em Pipeline e nem estava prestando atenção no QS, mas é bom saber que eu subi e posso me garantir pelo QS, porque você nunca sabe o que vai acontecer”.

A grande final com 35 minutos de duração começou as 11h00 com a praia já lotada na Joaquina, como na quarta-feira e no sábado. O californiano Kanoa Igarashi ganhou a disputa pela primeira onda e a esquerda abriu a parede para ele fazer três manobras fortes de backside e largar na frente com nota 7,67. O natalense Jadson André erra na primeira escolha de onda, ela fecha rápido e a prioridade da próxima fica para o americano. As condições do mar estavam difíceis, com longos intervalos entre as séries, então era fundamental não desperdiçar qualquer chance.

Kanoa Igarashi (Foto: Daniel Smorigo - WSL)
Kanoa Igarashi (Foto: Daniel Smorigo – WSL)

Demora um pouco para entrar outras ondas e Kanoa Igarashi pega uma direita para mandar um aéreo rodando que vale nota 5,33. Jadson pega a seguinte da série para fazer três manobras de backside em outra direita que só rende 4 pontos. Só que o americano já vem em mais uma variando as manobras com velocidade para botar pressão no brasileiro com uma boa vantagem de 9 pontos na liderança. Jadson falha de novo na escolha da onda, perde a prioridade e deixa uma esquerda para Kanoa usar a força do seu backside de novo e trocar a nota 5,33 por 8,17, deixando Jadson em “combination”, precisando de duas ondas para superar os 15,84 pontos do americano.

Enfim, o potiguar acha uma direita há 20 minutos do fim da bateria, que abre mais para ele desferir uma série de manobras potentes de backside e voltar para a briga do título com nota 6,5. Com ela, Jadson ainda precisava de uma onda excelente, que rendesse 9,34 pontos. Ele vem numa esquerda limpa, com potencial para isso, mas erra a primeira manobra. Em seguida, pega uma direita e arrisca o aéreo rodando de backside, porém não completa.

O tempo foi passando, não entrava ondas boas, os dois competidores ficaram remando no outside, até que sobra uma esquerda para Jadson mandar outro aéreo 360 sem as mãos na prancha, dessa vez de frontside, porém novamente sem aterrissar com perfeição. A calmaria voltou, passou o sinal dos 10 minutos finais, dos 5 minutos, o brasileiro ainda surfa sua melhor onda no final, mas a vitória de Kanoa Igarashi já estava consumada por 15,84 a 13,37 pontos.

Griffin Colapinto (Foto: Daniel Smorigo - WSL)
Griffin Colapinto (Foto: Daniel Smorigo – WSL)

SEMIFINAIS – O último dia do Hang Loose Pro Contest 30 Anos foi iniciado às 9h30 com as semifinais e os tops do CT confirmando o favoritismo. Na bateria norte-americana, Kanoa Igarashi respondeu à altura a cada ataque do igualmente jovem Griffin Colapinto, de 18 anos de idade. Os dois começaram surfando ondas parecidas, com Kanoa recebendo nota 6,67 e Griffin um pouquinho mais, 6,77. Mas, Igarashi achou uma onda abrindo a parede para ele fazer manobras mais fortes e praticamente garantir a vitória com a nota 8,17 recebida, fechando o placar em 14,84 a 11,50 pontos.

“Não consegui ir para a final, mas estou contente em conseguir meu primeiro resultado de verdade no QS”,disse Griffin Colapinto, que saltou de 73 para 40 no ranking do WSL Qualifying Series, com os 3.550 pontos do terceiro lugar no Hang Loose Pro Contest 30 Anos.  “Eu me diverti bastante nessa semana aqui e eu e o Kanoa (Igarashi) já nos enfrentamos várias vezes. Não fizemos nenhuma aposta, mas eu queria ganhar essa. Foi uma bateria divertida e agora vou para o Havaí competir na Tríplice Coroa mais animado com esse resultado aqui”.

Deivid Silva (Foto: Daniel Smorigo - WSL)
Deivid Silva (Foto: Daniel Smorigo – WSL)

Na semifinal brasileira, o potiguar Jadson André, dominou a bateria depois de aproveitar uma boa onda no início, surfando com força e velocidade para largar na frente com nota 7,00. O paulista Deivid Silva, 21, precisava passar para a final para tirar a vaga de Jessé Mendes no grupo dos dez que sobem para o CT. Ele venceu a etapa do QS 6000 de Florianópolis no ano passado, na Praia do Santinho, porém não conseguiu repetir o feito e ficou em 11.o lugar no ranking do WSL Qualifying Series, na porta de entrada do G-10. Ele está entre dois brasileiros, o último da lista, Jessé Mendes, e o catarinense Tomas Hermes em 12.o.

“Eu estou amarradão com esse resultado, pois foi muito importante pelo número de campeonatos que restam para acabar o ano”, disse Deivid Silva. “Com certeza, eu gostaria de estar na final, mas não entrou a onda certa para mim. E estou feliz que o Jadson (André) passou também. Ele está lutando para manter seu lugar no CT, então mereceu. Estou contente por estar indo para o Havaí com mais chance de conseguir minha vaga na Tríplice Coroa Havaiana. Nada está perdido, vai dar tudo certo e espero estar no CT no ano que vem”.

Alfio Lagnado no pódio dos finalistas (Foto: Daniel Smorigo - WSL)
Alfio Lagnado no pódio dos finalistas (Foto: Daniel Smorigo – WSL)

HANG LOOSE ESPECIAL – O Hang Loose Pro Contest 30 Anos foi realmente um campeonato especial. Durante toda a semana, muita gente que esteve nas areias da Joaca em 1986, veio a praia dessa vez trazendo os filhos para ver o show de surfe que eles assistiram 30 anos atrás. Vários que fizeram aquele campeonato histórico também trabalharam no evento esse ano, como o organizador principal de 1986, Flavio Boabaid, que atuou como diretor de prova. Outros também, como Xandi Fontes e Roberto Perdigão da WSL South America, juiz e organizador na época, além do australiano Al Hunt, Tour Manager da World Surf League desde então, bem como, é claro, o patrocinador, Álfio Lagnado, da Hang Loose.

“Muito legal, eu aqui vendo o palanque azul, da mesma cor e o mesmo logotipo daquela edição, as pedras cheias de gente, todo mundo amarradão”,disse Alfio Lagnado. “É um sentimento muito parecido com o de 30 anos atrás. Estou muito feliz presenciando tudo isso, valeu muito a pena, muito mais até do que eu imaginava. Naquela época (1986), era um sonho fazer um campeonato da ASP (hoje World Surf League), ter os campeões mundiais aqui em areias do Brasil e o campeonato foi um dos pilares para o sucesso da Hang Loose. A gente sempre acreditou e investiu no surfe, a marca já tem mais de 35 anos, continua bombando e o maior segredo é acreditar e investir no surfe”.

O QS 6000 Hang Loose Pro Contest 30 Anos foi realizado com patrocínio da Hang Loose e apoio do Governo do Estado de Santa Catarina / Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte, através do FUNDESPORTE, e da Prefeitura Municipal de Florianópolis, além da Mini Kalzone e lojas J Bay e Tent Beach. O evento foi homologado e supervisionado pela WSL South America como 46.a etapa do WSL Qualifying Series 2016, com realização da Associação de Surf da Joaquina (ASJ), divulgação da Rede Atlântida FM, site Waves e transmissão ao vivo pelo www.worldsurfleague.com

(Foto: Daniel Smorigo - WSL)
(Foto: Daniel Smorigo – WSL)

SOBRE A WORLD SURF LEAGUE – A World Surf League (WSL), antes denominada Association of Surfing Professionals (ASP), tem como objetivo celebrar o melhor surf do mundo nas melhores ondas do mundo, através das melhores plataformas de audiência. A Liga Mundial de Surf, com sede em Santa Mônica, na Califórnia, atua em todo o globo terrestre, com escritórios regionais na Austrália, África, América do Norte, América do Sul, Havaí, Europa e Japão.

A WSL vem realizando os melhores campeonatos do mundo desde 1976, promovendo os eventos que definem os campeões mundiais masculino e feminino no Samsung Galaxy Championship Tour, além do Big Wave Tour, Qualifying Series e das categorias Junior e Longboard, bem como o WSL Big Wave Awards. A Liga tem especial atenção para a rica herança do esporte, promovendo a progressão, inovação e desempenho nos mais altos níveis.

Os principais campeonatos de surf do mundo são transmitidos ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo grátis WSL app. A WSL já possui uma enorme legião de fãs apaixonados em todo o planeta que acompanha as performances dos melhores surfistas do mundo, como Gabriel Medina, John John Florence, Adriano de Souza, Kelly Slater, Stephanie Gilmore, Greg Long, Makua Rothman, Carissa Moore, entre outros, competindo no mais imprevisível e dinâmico campo de jogo entre todos os esportes no mundo, que é o mar.

Para mais informações, visite o WorldSurfLeague.com

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João Carvalho – WSL South America Media Manager – jcarvalho@worldsurfleague.com

Mais notícias do Hang Loose Pro Contest 30 Anos no www.wslsouthamerica.com

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HANG LOOSE PRO CONTEST 30 ANOS – RESULTADOS DO DOMINGO:

Campeão: Kanoa Igarashi (EUA) por 15,84 pontos (8,17+7,67) – US$ 25.000 e 6.000 pontos

Vice-campeão: Jadson André (BRA) com 13,37 (notas 6,87+6,50) – US$ 12.000 e 4.500 pontos

SEMIFINAIS – 3.o lugar com 3.550 pontos e US$ 5.500 de prêmio:

1.a: Kanoa Igarashi (EUA) 14.84 x 11.50 Griffin Colapinto (EUA)

2.a: Jadson André (BRA) 12.83 x 11.17 Deivid Silva (BRA)

G-10 DO WSL QUALIFYING SERIES – após 46.a etapa – Hang Loose Pro Contest:

1.o: Kanoa Igarashi (EUA) – 21.750 pontos

2.o: Leonardo Fioravanti (ITA) – 20.750

3.o: Connor O´Leary (AUS) – 19.775

4.o: Joan Duru (FRA) – 18.900

5.o: Ethan Ewing (AUS) – 18.750

6.o: Ian Gouveia (BRA) – 18.410

7.o: Bino Lopes (BRA) – 17.550

8.o: Jeremy Flores (FRA) – 17.150

9.o: Ryan Callinan (AUS) – 15.950

10.o: Jessé Mendes (BRA) – 14.860

———–sul-americanos até 100.o lugar:

11: Deivid Silva (BRA) – 14.680 pontos

12: Tomas Hermes (BRA) – 14.550

18: Michael Rodrigues (BRA) – 10.850

21: Filipe Toledo (BRA) – 10.000

22: Jadson André (BRA) – 9.900

30: Yago Dora (BRA) – 8.840

32: Santiago Muniz (ARG) – 8.675

33: Krystian Kymerson (BRA) – 8.510

34: Hizunomê Bettero (BRA) – 8.450

37: Adriano de Souza (BRA) – 8.050

45: Victor Bernardo (BRA) – 6.900

50: Willian Cardoso (BRA) – 6.350

55: Heitor Alves (BRA) – 6.000

57: Lucas Silveira (BRA) – 5.895

58: Marco Giorgi (URU) – 5.760

68: Marco Fernandez (BRA) – 5.175

69: David do Carmo (BRA) – 5.080

78: Miguel Pupo (BRA) – 4.480

81: Samuel Pupo (BRA) – 4.420

84: Luel Felipe (BRA) – 4.350

93: Thiago Camarão (BRA) – 4.000

96: Messias Felix (BRA) – 3.880

98: Robson Santos (BRA) – 3.830

101: Italo Ferreira (BRA) – 3.700