Alerta vermelho: mega swell para o sudeste brasileiro

Mapa do mega swell de SSE/SE atingindo os litorais do Rio e de SP na sexta-feira. foto: modelo LOLA

Os picos mais expostos poderão produzir as maiores ondas surfáveis dos últimos anos, e poderemos ver ondas raras funcionando num dia histórico.

O potencial para ser um dia histórico existe, só vai depender da previsão se confirmar nas próximas horas. O mega swell ocorreria devido a uma persistente pista de ventos na borda sul de um sistema de baixa pressão atmosférica alimentado por um sistema de alta pressão em torno de 1044 mb, se formando na quinta-feira (10) a 600 milhas do Rio de Janeiro na direção SSE (165º) e depois ganhando força nas 48 horas seguintes enquanto se afasta para 1500 milhas na direção SE (130º)

Essa configuração, de uma alta pressão bastante forte seguindo a tempestade, favorece a formação de ventos mais fortes e permanentes e, como consequência, de um swell mais consistente, com séries mais frequentes e mais ondas dentro da série, e com linhas de onda mais longas, cobrindo uma faixa maior de praia. Ou seja, o negócio poderá ficar sério!
Na sexta-feira o novo sólido swell de sul-sudeste (SSE) deve subir rapidamente durante o dia e atingir ápice à tarde, com período médio alto (14s). No momento, as estimativas dos modelos indicam que poderemos ver ondas em torno de três a quatro vezes a altura da cabeça, ou ‘3 a 4 metros’ na escala dos surfistas. Infelizmente, parece que teremos ventos locais desfavoráveis nos picos mais expostos ao swell, em torno de SSE/SE com intensidade moderada.

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No sábado, o swell ainda perto do seu ápice vira mais para sudeste (SE) com 14 s de período, e continua bombando, ainda que amenize levemente durante o dia. Novamente os modelos indicam que teremos ondas com mais de ‘3 metros’ nas bancadas capazes de maximizar a energia dessa grande ondulação. O padrão de ventos deve melhorar, e poderemos ter condições favoráveis nos picos que puderem lidar com tanta energia.

Os surfistas de laje, como Daniel Rangel, aqui exibindo todo seu conhecimento do Shock, em Niterói, podem ir se preparando para maximizar o aproveitamento do potencial do mega swell. Foto: Matheus Couto

No Rio, picos raros dentro da Baía de Guanabara, como Itapuca (Niterói) e ‘A Besta’ (no meio da baía), poderão funcionar, assim como o Baixio de Copacabana. A esquerda que quebra no molhe de pedras do aeroporto Santos Dumond também poderá despertar e ser mais uma atração nesse dia que poderá entrar para a história do surf carioca.

Na verdade, estes são só alguns exemplos de picos da região sudeste que não quebram com frequência, pois precisam de grandes ondulações com energia concentrada em torno de SE, algo que não acontece muitas vezes durante as nossas vidas de surfistas. Por exemplo, olhando para trás, o último swell com energia similar a este atingindo o litoral sudeste do Brasil foi registrado nos dias 8 e 9 de abril de 2010. Naquela oportunidade, a ondulação causou destruição em algumas partes do litoral, como na Praia do Forte, em Cabo Frio (RJ). Comparando as duas ondulações, apesar de terem energia total similar, o swell que está por vir parece ter a sua energia mais concentrada e menos dispersa do que a do swell anterior, o que poderá resultar em séries ainda maiores desta vez.

Portanto, se isso se confirmar, a atenção deve ser redobrada nos trechos mais vulneráveis do litoral.

No domingo o ápice do swell já deve ter passado, mas, ainda deve continuar bem grande e mais inclinado a SE/ESE, voltando a ganhar força à tarde. Condição favorável aos cantos esquerdos das praias viradas para sul.

O swell de SE/ESE deve continuar bombando no início da próxima semana, mas, a passagem de uma baixa pressão atmosférica ao largo do litoral poderá configurar ventos em torno dos quadrantes oeste-sudoeste, prejudicando a formação das ondas nas praias mais expostas a sul, mas, favorecendo naquelas viradas para leste.

Tudo isso ainda depende da formação da tempestade sobre o Atlântico Sul na próxima quinta-feira, e de seu desenvolvimento a partir de então. Portanto, os detalhes desse mega swell, como tamanho exato, momento de ápice e duração, ainda poderão mudar bastante e devem ser refinados nas próximas atualizações da previsão.

Boas ondas!

Fonte surfline.com