A trajetória destemida do pai, empresário, surfista e técnico Leandro Dora

Leandro Dora. Foto: Cíntia Domit Bittar

Da juventude barra-pesada ao posto de principal treinador do surf mundial, a batalha de Leandro Dora

É uma história sobre psicologia, não sobre esporte. Em julho de 2015, o surfista Adriano de Souza, o Mineirinho, então com 28 anos, se preparava para disputar a etapa da África do Sul, a sexta do circuito mundial. Seu estilo aguerrido, mas não muito polido, o mantinha distante do título de campeão do mundo – nos anos anteriores, ele tinha chegado em oitavo e 13º lugares. “Eu sempre começava o campeonato bem e, da metade para o final do ano, pecava em algo”, conta Mineirinho. Mas, naquele momento, uma mudança ocorria nos bastidores de sua carreira. Após quase uma década na elite competitiva, o surfista passava a ter um treinador: Leandro Dora, o Grilo. Os dois tinham sido apresentados cerca de um ano antes pelo surfista catarinense Ricardo dos Santos. “Numa conversa com o Ricardo, ele me falou: cara, o Grilão pode ajudar. Ele conseguiria fazer você manter o nível até o fim.”

Grilo e Mineiro, então, passaram um semestre afastados das famílias, em uma bolha de foco, serenidade, meditação, boa alimentação e treinamentos. “Eu tinha que cuidar da parte emocional dele”, diz Leandro. “Tinha que tirar o peso que ele carregava de que ‘precisava’ ser campeão do mundo.”

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