A solitária onda da Ponta do Camaraçu

Maçaroca é uma onda pesada, e em condições extremas não é recomendada para surfistas iniciantes. Foto Denys Sarmanho/ Craud.net

“Destino: A  distante e remota  onda da Ponta do Camaraçu, em Augusto Corrêa, no Pará”

A galera reunida para a foto oficial da ‘surf trip’.
O comboio em busca das ondas.
Publicidade

–  Salinópolis, Pará-  Quinta-feira (03:00 h), pranchas atreladas em cima da lona da caçamba da ‘L 200’, provisões embaixo da lona, protegidas da chuva. A noite foi curta, na mente, o sono misturado com a ansiedade.

(03:00 h) Ainda está escuro, a cidade dorme, e o silêncio é sagrado… postes acesos, barulho, só o som do carro e as vozes da galera… No comboio estavam o Léo Maroja, no comando da 4×4,  Arthur Ramos de co piloto, eu, sentado no banco de trás, e ao meu lado o fotógrafo Jeremy Dias. No Gol quatro portas, logo  á frente, iam o  Luis Henrique, velha guarda do Pará e credenciado com vinte anos anos de Ceará, o Alex Cavalcante, pioneiro do surf aqui no Estado e hoje exímio Instrutor de Kite Surf, e o local de Salinas Nayson Costa, que sem dúvida levantaria o nível de surf e instigaria a barca com seus aéreos e rasgadas.

  • Cá estou eu, junto com um punhado de velhos amigos, sonhadores, filhos do mar, fissurados pelo mar, e prontos para rodar os cento e trinta e sete quilômetros que nos separam do município de Augusto Correa, mais ou menos duas horas, duas horas e meia de estrada.  Logo em seguida, a viagem prossegue por mais duas horas uma voadeira (embarcação de alumínio c/ motor),  e o destino final será a ‘ponta do Cupim’, no fundeadouro localizado em um lugar recortado do litoral e bem atrás da nossa base. E tudo isso por elas, sempre elas … as ondas.
Nossa barca rumo ao município de Augusto Corrêa, no Pará.

Chegando em Bragança, encontramos com o nosso primeiro apoio, o Sidney Lobato,  que junto com  o Juscelino, e o Rogério, somavam dez pessoas no grupo. Sidney  pratica surfe, somado ao Juscelino, foi em busca de ventos para velejar no seu ‘kite’, apenas Rogério, era quem comungava junto conosco, uma busca por ondas perfeitas.

Os ventos fortes, comuns em nossa região, na maior parte das vezes não deixa as ondas com uma boa formação.

  • Já estando Augusto Corrêa, próximo ao trapiche de embarque, encontramos com o restante da turma: Márcio  Vahia, Neto Marques e Gilvandro Junior, no Fiat Uno do Márcio, os três já estiveram conosco em trips anteriores para o Camaraçu, e  jamais duvidei que iriam pegar falta em mais esta investida.  Silvio, Alan e Cleber, foram outros três surfistas de Belém que se juntaram e formaram outra barca, e estavam lá para conhecer pela primeira vez o pico. Totalizando dezesseis amigos reunidos em um único objetivo.
No trapiche de Augusto Correa começa uma jornada espetacular pelos furos dos manguezais de água salgada.
Visuais inóspitos e inusitados, e que aguçam a curiosidade acontecem a cada momento que avançamos para o distante litoral.
Furos de rios formado pelos mangues da região são comuns neste parte do litoral.

“As caminhadas demoradas de volta para o QG na ponta do Cupim”

  • Desta vez a sorte andava de mãos dadas com a galera. Pela manhã conseguíamos com que o barco nos desse um suporte, e a distância até o ao pico era feito com um passeio inesquecível por dentro dos furos, por detrás das bancadas, envolto de muita natureza e de uma singela paz. Na volta do surfe, alguns vinham caminhando junto com os dois fotógrafos, cansados de tanto surfar, outros mais dispostos,  iam pelo mar ao sabor da correnteza, surfando na extensa bancada que circundava o nosso horizonte.
A galera sempre unida indo fazer uma ‘session’ no final de tarde.
Pescador local e um dos poucos habitantes deste lugar.
O ‘QG’ aonde ficamos muito bem instalados e onda passamos dias que irão ficar para sempre em nossas memórias.
Vegetação que norteia a praia da Ponta do Camaraçu.
Sempre havia um visual a ser contemplado.

 

A praia, na real, é dos pescadores que lá habitam, e tiram da pesca o sustento de suas vidas, moram em ranchos feitos de madeira do mangue e palha dos coqueiros, onde o único conforto é a rede de dormir, a lamparina e o fogão a lenha.

 “A vantagem é que não há carteiros, e se não há carteiros, não há contas á pagar “

 

Alex Cavalcante e Nayson Costa, sempre os mais fissurados dentro d’água, aproveitaram ao máximo as condições de surf da Ponta do Camaraçu.
As caminhadas fazem parte do dia a dia no Camaraçu.

Surfistas voltam surfando ao sabor da maré, mas os fotógrafos, estes, voltam andando com suas tralhas e debaixo do escaldante ‘astro rei’- dores musculares, cansaço ,  chuvas,  carapanãs,  maruins, e mais sol …tudo pelo surfe. Acho até que ás vezes, nós mesmos, não acreditamos o porque fazemos coisas que outros mortais jamais fariam, apenas pelo desejo de surfar cada vez mais, sempre mais, e em ondas e locais desconhecidos da maioria.

  • Fico imaginando os surfistas nômades e aventureiros descobrindo picos pelo globo,  e a quantidade de roubadas e perrengues que são obrigados a passar, tudo pela ânsia, pela vontade, pelo prazer, de surfar uma onda inóspita e isolada da civilização. Algumas vezes grandes, outras vezes pequena, ora perfeitas, ora mexidas, desconhecidas e perigosas, mais perigosas ainda se estiver em lugares distante, remotos.
Luis Henrique, Jamba’s, Ponta do Camaraçu.
Alex Cavalcante, Jamba’s, Ponta do Camaraçu.
Nayson Costa, Jamba’s, Ponta do Camaraçu.

 

” Deus criou as ‘pranchas de surf’ para fazer o homem mostrar estes pedaços de paraísos para o mundo”

Nayson Costa, Jamba’s, Ponta do Camaraçu.
Márcio Vahia, Jamba’s, Ponta do Camaraçu.
Alex Cavalcante, Jamba’s, Ponta do Camaraçu.

 

  • “Três dias de muito surfe e diversão, muitas risadas, a união foi a tônica no nosso ‘quartel general’. Tudo fluía sem ‘stress’, entre churrascos de carne, assados de peixes e bebidas á vontade para todos, e a encarnação rolou solta entre os amigos. Não faltou nada para a galera, muito pelo contrário sobrou comida e tudo foi doado para o caseiro do rancho”

 

Trecho no mapa identificando a rota entre Belém do Pará e o município de Augusto Corrêa.
Trecho no mapa identificando a rota entre os municípios de Salinópolis e Augusto Corrêa.

————————————————————————————————————————————–
Depoimentos:
–  A Ponta do Camaraçu é intocada, rica em fauna e flora, lugar onde a natureza caprichou. Caprichou tanto que além das belezas da região, a mãe natureza esculpiu vários picos para o surf: O  Cupim, o Jamba’s e a temida Maçaroca. Todos os picos são plenamente surfáveis. Precisa ficar atento apenas para as redes de pesca estendidas na praia (Colônia de Pescadores). No cupim as ondas são mais suaves, porém, com força. Jamba’s é um pouco mais radical, abrindo para os dois lados, e a Maçaroca, é um pico de ondas pesadas e surf de gente grande. Muito legal na região, é navegar pelos furos dos manguezais para se chegar aos picos. Garanto vale a pena conhecer. – Léo Maroja, surfista, advogado.

–  Realizei nove trips para o point, desde 2007, quando surfamos pela primeira vez no Camaraçu. Quatro anos se passaram sem desafiar o grande potencial de surf desta onda. Evoluir aqui é gratificante, conviver e me divertir novamente com os amigos do surf de longa data e presenciar a performance do talento nNayson Costa, e constatar que a evolução do surf em nosso estado não pode descartar o que esse lugar tem para oferecer. Agradeço o apoio da Sakapraia e da Sakapraiaboardclub. – Alex Cavalcante- surfista, kite-surfista e empresário.

– Mais uma ‘trip’ massa para o Camaraçu, deu tudo certo e tudo correu bem, tudo na paz, desde 2007 que eu frequento esse pico, e sempre pegamos boas ondas. O lugar tem um potencial de surf muito bom, desta vez tinha uma vento atrapalhando um pouco a formação mas o surf rolou mesmo assim. O Denys registrou tudo, queria agradecer por ele ter feito umas fotos legais minhas. E nós vamos com certeza voltar mais vezes, espero ir novamente agora em março ou em abril e pegar os picos quebrando perfeito, sem o vento. Muita camaradagem, muita risada, reunião de amigos, uma estrutura legal que não teve antes, foi tudo muito bacana graças a Deus. Fomos e voltamos e foi tudo tranquilo, e é isso aí, o surf paraense fazendo historia aqui, toda a galera reunida. Espero poder voltar muitas vezes ainda neste lugar. – Neto Castanhal, surfista, vendedor.


A maçaroca da Ponta do Camaraçu.
Alex domando a besta paraense.
Alex Cavalcante entocado na Maçaroca.
O garoto Nayson Costa criado no Atalaia, era o mascote da turma, porém o mais insano.
Nayson Costa destrinchando a Maçaroca.
O Rio Urumajó banha o município de Augusto Correa e dá acesso a Ponta do Camaraçu.

Saiba mais sobre Augusto Corrêa:

Augusto Corrêa  situa-se a 16 km a Norte-Leste de Bragança, é um dos inúmeros municípios do Brasil de natureza exuberante e pouco frequentado pela grande maioria da população do Estado do Pará.

Localiza-se a uma latitude 01º01’18” sul e a uma longitude 46º38’06” oeste, estando a uma altitude de 20 metros. Sua população estimada em 2010 era de 40 435 habitantes. Área:1.092 km²

Distância ( Via terrestre):

Belém- Augusto Correa- via BR-316 e BR-308-  aprox. 4 h 37 min (228,1 km)
Salinópolis Augusto Correa- via PA 124 e BR 308- aprox. 2:20 mim (137 km)

Por Denys Sarmanho/ Craud.net

Apoiaram a Trip do site Craud.net para a Ponta do Camaraçu : Maroja Advogados Associados, Refrivel Refrigeração de Veículos,  Pousada Mirante e Rita Doce e Salgados.

Márcio Vahia, veterinário, sempre disposto a explorar o universo das ondas paraenses.
Nayson Costa deu um show de manobras modernas, inspirando toda a galera trip.
Kite Surf na ponta do Camaraçu.
Ficar observando, depois do almoço da sacada do rancho, o velejo da galera do Kite Surf era recompensador.

Galeria de Imagens