A laje do Morro do Chapéu

Morro do Chapéu, Taíba, Ceará, Diassis Machado. Foto Divulgação HB

Lajes do Brasil: Desbravando do Morro do Chapéu CE

Publicidade

Vamos falar de Slabs. É assim que chamamos as LAJES no Brasil. São aquelas formações de coral ou pedra que criam ondas perigosas e pesadas. Essas morras são mais difíceis de surfar, pois normalmente são irregulares e exigem um nível avançado de surf.

Conversamos com Diassis Machado, local da Laje do Morro do Chapéu, no Ceará, ao norte de Fortaleza, para saber um pouco mais dessa Laje. Com uma onda versátil e com ondulações frequentes, o pico apresenta condições para o surf durante o ano todo. As ondulações variam, mas a onda quebra entre 0,5 e 1 metro na laje com sessões que abrem para os dois lados, com predomínio das esquerdas. “Ela entra com ondulações de leste, nordeste, norte e noroeste. Mas ela encaixa mesmo com ondulação de norte e com vento terral de sul. E tem que ter chuva”, destaca Diassis.

A bancada de pedra e de coral também permite mergulhos em um dia flat. Mas quando as condições entram, é preciso ter cuidado para varar o mar. Quando a onda fica acima de 1,5m ou 5 pés, a laje fica exposta. E com o rebuliço muito grande, fica impossível passar por baixo da onda. A alternativa é entrar no mar pela esquerda, aproveitando o canal para contornar a laje.

E Diassis ainda faz mais um alerta para quem pensa em se jogar nos slabs. “Aqui acontecem muitos acidentes por causa das pedras. Eu inclusive já me acidentei. Com a bancada muito rasa e a onda oca, a pedra aparece e muita gente se perde. No último swell, vi alguns baterem a cabeça nas pedras e saírem pra levar pontos”.

O acesso a praia é tranquilo, aproveitando estradas próximas à Praia da Taíba. Com o swell funcionando e com a maré cheia, você pode encontrar uma onda de 6 a 7 pés, com volume e até com alguns tubos. “Se tiver ondulação com maré de lua e vento terral ela dobra de tamanho. A onda abre muito e é ‘manobrenta’. Faziam seis anos que não tinha um inverno no Ceará e esse ano ela voltou a quebrar de gala”, comenta Diassis.

1. Quais as melhores condições para que a onda role? É frequente ou raro?
A onda é frequente. Quebra o ano todo com o ondulação de leste, nordeste, norte e noroeste. Ela encaixa mesmo com ondulação de norte, com vento terral que vem de sul e tem que ter chuva. Faziam 6 anos que não tinha um inverno no Ceará e esse ano tá tendo e aí a onda voltou a quebrar de GALA. Ondulação de norte ela encaixa na bancada, na laje, e abre para a esquerda e para a direita.

2. Predominam direitas ou esquerdas?
Predomina a esquerda. É bem melhor, mas existe a direita e quem surfa lá faz a leitura dela. É meio difícil. Quem vem de fora não consegue surfar. Meio que sai da onda, mas quem é local surfa bem a onda para os dois lados.

3. Qual a principal característica da onda? É tubular, escorrida, cavada, com pressão para acertar aquela manobra no olho da onda…?
Depende, quando entra o swell e tem maré muito cheia, dá onda com tamanho e volume. Fica 6, 7 pés jogando o lip. Muito boa para manobra. É manobrenta a onda. Também dá muito tubo. A onda abre muito, rasgadão, botton turn. Vai em cima rasga.

4. Com que tamanho a onda quebra em média? Vimos alguns vídeos dela quebrando entre 0,5 e 1m… Tem algum swell grande que encaixe?
A onda quebra a partir de 0,5 m. O Normal é 1 metrão. Ela chega a 6, 7 pés e o swell que encaixa é o de norte. Ele encaixa certinho na bancada com vento terral. Se tiver ondulação com maré de lua e vento terral ela dobra de tamanho.

5. Como é a bancada do local? Coral?
É bancada de pedra e coral. Se mergulhar lá tem várias locas e muito coral, buzo, peixe, moreia.

6. Como é o acesso a praia?
É tranquilo, pega a 020 ou a Sol Poente, que é uma avenida duplicada. Vai até a Taiba, mas quando chega na Taiba você entra para o Morro do Chapéu numa estrada de piçarra. É tranquilo.

7. A remada até o pico é tranquila? Existe algum canal?
Quando ela fica acima de 5 pés você não consegue passar por baixo, onde tá a laje. Onde tá a cabeça da laje, fica um rebuliço muito grande. Então você entra na esquerda. deixa levar porque tem um canal na esquerda que leva você arrodeia a onda por trás. Aí entra. Não adianta entrar por baixo dela que só vai levar porrada e te joga para fora. Aí não passa. Se entrar a série não passa.

8. Como é a crowd? O pico é um secret e vão poucas pessoas ou quando rolam as ondas a crowd é muito intensa?
Hoje em dia é overcrowd. Fica meio dividido. A galera fica lá dentro, os mais masters, que é a galera das antigas. Lá fora na primeira sessão. E a galera da geral mais embaixo e tipo… esse swell que tava perfeito, tinha umas 70 cabeças no mar. Tá tendo muito acidente porque vai muito aprendiz que vai se meter numa onda daquelas. Teve acidente nesse swell com gente batendo cabeça na pedra, levando ponto. Tava muito raso.

9. Você tem alguma história curiosa ou momento marcante sobre o pico? Algum mar épico que tenha pego só com alguns amigos ou sozinho, a primeira vez que viu a onda rolando ou até algum perrengue que tenha passado no local.
Inclusive lá é um pico com muitos acidentes por causa das pedras. Sempre tem gente batendo a cabeça. Eu já me acidentei lá em um dia de maré seca, uma quilha pendurada com uma quilhada que eu levei. Era uma onda muito oca e às vezes não dá para descer, pois a pedra aparece. Tem muito acidente em toda a temporada.

Fonte hb.com.br