Paulo Kid, de competidor no Hang Loose Pro Contest em 1986, a técnico vitorioso 30 anos depois

 

 

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Em 1986, então com 18 anos, o paulista de Guarujá, Paulo Kid, estava iniciando a sua trajetória no surf profissional. Seu primeiro grande campeonato pela então ASP (hoje WSL) foi o Hang Loose Pro Contest, na Praia da Joaquina, em Florianópolis. Na época, era atleta da equipe Hang Loose e teve a satisfação de participar do histórico momento do retorno do Circuito Mundial ao Brasil.

Agora, 30 anos depois, ele volta ao “mesmo palco”, ainda trabalhando com a marca e como técnico vitorioso com quatro de seus atletas brigando por vagas na elite mundial. Três deles com vitórias no WSL Qualifying Series deste ano – Ian Gouveia é o quinto colocado, Jessé Mendes está em décimo (ambos na zona de classificação) e Deivid Silva está em 14º lugar. Ainda “correndo por fora” aparece Victor Bernardo, ocupando a 42ª posição.

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O Hang Loose Pro Contest – 30 anos, etapa QS 10.000 será realizado de 1º a 6 de novembro, na mesma Joaca, e Kid pode ter momentos de emoção e satisfação com seus surfistas podendo até já assegurar a participação no CT 2017. Será a última disputa antes dos dois eventos decisivos no North Shore do Havaí, que encerram o ranking da temporada.

Para ele, a situação é nova, mas ele sabe como trabalhar bem para se dividir na importante tarefa. “Não sei como é. Nunca vivi isso. É a primeira vez. Mas é bom, legal fazer um trabalho e chegar no final do ano e ter atletas lutando pelo objetivo”, revela. “Vai ser bastante emoção, lógico, ainda mais porque estarei revivendo o Hang Loose de 30 anos atrás. Junta tudo”, determina o chefe de equipe da Hang Loose, que já atua como técnico desde 1995, quando encerrou a carreira como profissional.

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Antes, foram 17 anos competindo e Kid lembra bem do Hang Loose em
1986. “Cheguei uma semana antes com o Tinguinha (Lima). Éramos da equipe Hang Loose. Foi uma semana de ondas épicas, um marco no surf profissional brasileiro. Pode se dizer que tudo começou novamente ali. E estamos aí até hoje”, comenta, falando que participar do evento terá um gostinho especial. “Será um flashback. Uma época do surf que graças a Deus vivi bem. Dá saudades e muita coisa virá à tona”, diz.

A carreira de treinador foi iniciada em paralelo ao período como competidor de longboard, onde também se destacou, inclusive no exterior, com vitórias no Circuito Europeu Profissional. São 21 anos orientando a nova geração, com grande vivência no cargo. Em seus “camps” até mesmo o campeão mundial Gabriel Medina foi um dos beneficiados. Nessas duas décadas, aprendeu a se dividir entre vários talentos ao mesmo tempo e que o trabalho não se limita só às estratégias nas ondas.

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É preciso atuar como um conselheiro pessoal várias vezes. “Cada um dos surfistas tem suas características e sabemos o potencial, dentro das habilidades, das armas que possuem. Então, é procurar fazer o melhor, manter o foco e ver todas as oportunidades que aparecerem para eles agarrarem”, explica Kid, sabendo que muitas vezes uma palavra de apoio pode fazer a diferença.

“É um trabalho que tem um universo em volta dele. São muitos fatores, muitas facetas, e vamos adquirindo conhecimento através do tempo. Vai tendo intimidade com o atleta, conhece o lado pessoal. Cada cabeça é um mundo e o desafio do treinador, além da parte técnica, é isso. Também entender o que tem dentro da cabeça deles”, ensina.

O início dessa trajetória foi com os irmãos Caio e Júnior Faria, primos de Jessé Mendes, que está com Kid desde a primeira onda surfada, literalmente. “Ele tinha três anos e oito meses quando começou. A gente fez o trabalho dele ficar em pé na prancha e aos seis anos já começou o trabalho de viagens”, lembra. “São anos trabalhando e estudando. É como se fosse uma graduação. Peguei do zero, do início. Ensinei ele a ficar em pé na prancha. E você vê toda essa caminhada, esses anos, passar por todas as fases de competidor”, relata.

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Quase um filho, Kid não esconde que a classificação de Jessé será cercada de muita emoção, assim como foi na vitória no QS 10.000 em Cascais, Portugal. “Ele vem de um ano que está surfando muito bem. A técnica dele está mais avançada. Os resultados não estavam encaixando. No QS é uma guerra. O nível é altíssimo e pequenos detalhes podem fazer grande diferença. Em Cascais tudo encaixou. Ele sintonizou e agora chega nessa reta final motivado com uma grande oportunidade”, argumenta.

Sobre Ian Gouveia, o treinador ressalta uma situação mais do que especial. “Ele está com um pé e meio dentro do CT e, se Deus quiser, vamos comemorar os 30 anos do evento e a classificação dele”, anuncia Kid, descartando a pressão do surfista, por ser filho do ídolo Fabio Gouveia.

“No dia a dia, quem convive com ele, não sente isso. Talvez em algum momento até sinta. Imagina ser filho do cara que marcou a história do surf brasileiro a nível mundial? A linha de surf do Fabinho é comparada a do Tom Curren”, relaciona. “Mas o Ian administra bem e acho que o Fabinho será o ponto de apoio nesse momento”, confia.

Ainda na lista, está Deivid Silva, que chega em Floripa para defender o título da etapa de 2015 e ano passado ficou muito próximo da vaga do CT. “O trabalho é esse. Mostrar para ele o que já fez, a história que tem, os campeonatos que já venceu. Que tem condição, está preparado. Dentro disso tudo, ver as oportunidades e não deixar escapar. Agora é hora do detalhe. O desafio é passar várias baterias. Tem histórico, preparo e fazer a coisa acontecer”, complementa.

Além dos três muito bem classificados no ranking, Kid terá tempo para orientar o jovem Victor Bernardo, outro que acompanha desde a infância. “Ele está correndo por fora, numa trajetória de crescimento. Às vezes dá certo”, completa Kid, já preparado para dias de emoção e, quem sabe, realização e muita comemoração.

Com transmissão ao vivo pelo www.worldsurfleague.com, o Hang Loose Pro Contest – 30 anos contará com a participação de surfistas de 22 países, sendo 94 estrangeiros dos 150 inscritos.

João Carvalho – Assessoria de Imprensa da WSL South America
(48) 9988-2986 –
jcarvalho@worldsurfleague.com