Elivelton Santos é campeão na Praia do Forte do BT Surf Festival

Pódio BT Surf Festival. Foto Divulgação
“Em terra de índio, pintado como eles”, a frase pode ser adaptada para “ Na terra do índio Elivelton Santos, vencedores e pintados a exemplo dele”, e assim – com  pinturas corporais típicas dos índios potiguaras nos finalistas- terminou o BT Surf Festival, na Praia do Forte, Baía da Traição, Paraíba, evento cuja última bateria foi vencida justamente por ele: Elivelton Santos, 22,  conhecido como “índio voador” e campeão da categoria Pro-Am, nova denominação para as disputas que envolvam profissionais e premiação em dinheiro conforme recém reforçada pela Confederação Brasileira de Surf CBSurf.
E três talentos precoces do surfe de base brasileiro deixaram suas marcas no BT Surf Festival: Guilherme Lemos (CE) campeão da Mirim Sub 16, além da dupla paraibana Reginaldo Filho, o Guinho Conde, na Sub 18 e a vice-líder nacional Sub 18 Nalanda Carvalho, campeã da Open de virada e mostrando que também possui manobras aéreas no seu repertório.
O primeiro a garantir título foi o cearense Gui Lemos, com a mirim fechando o primeiro dia com vitória dele e Yuri Barros sendo vice a frente do também paraibano Reginaldo Guinho Filho, e de Gian Carlos, potiguar quarto na Praia do Forte da reserva indígena potiguara de “BT”, denominação carinhosa que Baía da Traição recebe, há décadas, de outra tribo: a do surfe.
Nalanda Carvalho não se intimidou por ter de correr atrás de “sair do prejuízo” e aplicou o critério da escolha de ondas e grau de risco ao completar um aéreo para receber 6 pontos e o troféu de campeã,  enquanto outras duas paraibanas: as nativas Yorrana Borges e Carol Sousa, mais a pernambucana Natália Barrote, recebiam as medalhas de vice, terceira e quarta respectivamente.
Superar
Nalanda Carvalho,  com os pais tendo que superar dificuldades financeiras, está inscrita no Brasileiro de Base  que a CBSurf realiza em São Paulo  a partir do dia 3,no qual está em segundo lugar e no momento garantindo vaga ao Mundial Júnior da ISA nos EUA em setembro, entidade reconhecida pelo COI
Na Sub 18, Reginaldo Guinho Filho não precisou da melhor onda para fazer a melhor nota da final Júnior e inverteu tudo nas três rasgadas que valeram 7,5 e só não molhou. parte do grande público porque ele se concentrava na falésia que, a partir da praia do Forte, inicia o “Alto do Tambá”, sendo que na praia de mesmo nome indígena Guinho já vencera Surf Treino em excelentes ondas, sendo a praia do Tambá candidata à sequência do evento cuja abertura foi com etapa Pena, mas com seus 13 campeões fazendo um surfe de campeões “peso-pesado”, a exemplo do vice Júnior Yuri Barros, e da dupla potiguar Erickson Dias e Derryck Victor, terceiro e quarto entre os abaixo de 18.
Pro
Na final do surfe profissional, mesmo não superando a recorde nota 9 do kitesurfista  Anderson Santos, Elivelton Santos, abriu com 8,5 pontos os trabalhos literalmente “em casa” e ditou o ritmo com 15,4 de total garantido com a inclusão da terceira onda como a de troca (segunda melhor e última somada)  e estabeleceu larga margem frente ao vice Paulo Henrique Grilo (RN) e a Denner Carvalho, que garantiu terceiro na decisão que Júnior Rocha (RN) foi quarto já muito exigido, pois vinha de outras duas finais:
Rocha antes vencera na Grand Master sendo nessa +40 seu vice o também norteriograndense Almeida Junior, dono de outro segundo, o do longboard, vencido pelo cearense Geraldo Lemos.
Geraldinho é o pai do campeão da mirim Gui Lemos, mas nem o “combo” de medalha de quarto na Master, troféu de campeão no pranchão mais a média recorde (16,45 na vitória) conseguiu superar o destaque do filho de apenas 11 anos, que ressaltou (ainda ofegante após a final Sub 16 e subir a falésia) ter sido “uma grande conquista, pois venci em uma categoria que é duas acima da minha” afirmo ao ser entrevistado pelo organizador e grande anfitrião Saulo Carvalho que foi muito elogiado pelo sucesso da iniciativa e não lhe deixou tempo para disputar também a Master, vencida por José Júnior, da potiguar e quase vizinha Baía Formosa, que teve o conterrâneo e campeão Grand Master Júnior Rocha como seu vice.
Pioneiros
Na Grand Kahuna, o potiguar Edu Elias venceu e assim voltou em grande estilo à Praia do Forte onde trabalhara em evento dois anos antes.
Seu vice por apenas meio décimo foi o paraibano Chicó Moura que compete na paradisíaca Baía da Traição desde 1976, quando a Praia do Forte virou berço do surfe competição paraibano e 11 anos depois assistiu uma final entre o paraibano Fábio Gouveia e mais um potiguar que venceu no domingo do I BT Surf Festival: o campeão Kahuna + 45 e igualmente querido João Maria de “BF” Nascimento.
Júnior Sub 18
1° Reginaldo Guinho Filho PB 13,95
2° Yuri Barros PB 12 55
3° Erickson Dias RN 10,40
4° Deryck Victor RN 8,95
Mirim
1° Guilherme Lemos CE 13,50
2° Yuri Barros PB 12,25
3° Reginaldo Guinho Filho 11,90
4° Gian Carlos RN 8,10
Feminina
1° Nalanda Carvalho PB 9,5
2° Yorrana Borges PB 9,20
3° Carol Souza PB 8,90
4° Natália Barrote PE 5,40
Pro am
1°Elivelton Santos PB 15,40
2°Paulo Henrique RN 12,15
3°Denner Carvalho PB 12,00
4°Júnior Rocha RN 10,10
Master
1°José Júnior RN 13
2°Júnior Rocha RN 10.0
3°Liro Boy PB 8.55
4°Almeida Júnior RN 7,25
Longboard
1°Geraldo Lemos 16,45
2°Almeida Júnior RN 7.65
3°Nilton Santos PB 6.60
4°Johan Filho PB 5.35
Grand Master
1° Júnior Rocha RN 11,50
2°Almeida Júnior RN 10.60
3°Ricardo Erick PE 9.05
4°Geraldo Lemos CE 8.40
Kahuna
1°João Maria RN 10.10
2°Fernando Santos PE 10.00
3°Ivan Medeiros RN 9.95
4°Alexandre Henrique PB 6.85
Grand Kahuna
1°Edu Elias RN 8.30
2°Chicó Moura PB 8.25
3°Fernando Duarte RN 7.00
4°Zezito Barbosa PE 6.15
Senior
1° Ranieri Adriano RN 12.80
2°Paulo Henrique RN 11.70
3° Arthur Villar PB 9.85
4°Ivan Alves RN 8.95
kitewave
1°Anderson Santos PB 12,30
2°Cabeto PB 11,75
3° Luís Carlos DARF PB 9,50
4°Caio Ramalho PB 8,75
Local BT
1°Thiago Machado 11.25
2°Wemerson Oliveira 9.15
3° Fábio Morais 9.00
4°Diego Cassiano 5.60
Bodyboard
1°Rodrigo Onofre PB 11,85
2°Deda Araújo PB 9,15
3°Alexandre Lucena PB 7,05
4°Adriano Constantino PB 6,30
O Festival conjugou disputas da tribo do surfe de vários estados, acrescido das tradições dos potiguaras, índios que dançaram seu Toré, a dança sagrada, na tarde do sábado (28) na mesma praia do Forte que recebeu o surfe variantes outras e, além das ocas fixas, contou com barracas instaladas para a venda de rico artesanato potiguara cujos caciques receberam agradecimentos no BT Surf Festival em Baía da Traição.
“Levamos também diversas ações de cidadania à comunidade indígena, dessa vez na própria Aldeia Forte” ressaltou Josias Viana um dos colaboradores da Secretaria de Turismo.
Por Chico Padilha
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