A água do mar e seu poder de nos influenciar positivamente

A água do mar e seu poder de nos influenciar positivamente
Depois dos médicos franceses receitarem o surf como tratamento, o biólogo Wallace J. Nichols trouxe para a discussão os benefícios neurológicos provenientes do contato com o mar. Benefícios esses tão almejados em consultórios psiquiátricos: elevação do humor, redução do estresse e até melhoria da memória.

Para muitas pessoas – surfistas e não surfistas – a experiência de estar na praia e apenas ficar olhando o oceano é profundamente gratificante. Há quem diga que a atitude gera um estado contemplativo, há outros que afirmam que é extremamente calmante e inúmeras pessoas afirmam que não conseguem colocar em palavras a sensação, pois acreditam que o mar as toca em um nível emocional.

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O biólogo Wallace, em entrevista para a revista Outside apresentou uma novidade sobre nós mesmos: temos uma necessidade latente, psicológica e biológica, de frequentar ambientes aquáticos, como oceanos. São informações pouco conhecidas e pouco estudadas e, talvez por isso, tão surpreendentes, mas que de uma certa forma sempre existiram dentro de nós em formato de impossibilidade ou desconforto de passar muito tempo longe da praia.

Claro que não estamos afirmando um fato incontestável e como toda boa teoria, há controvérsias, mas para os surfistas isso pode começar a ajudar a entender muita coisa.

Normalmente essas pessoas passam horas e horas dentro da água e mesmo sem todas as ondas clássicas e perfeitas, vivenciam uma satisfação verídica quando saem – satisfação essa que leva os praticantes do surf de volta para a água em poucos instantes.

Todo bom surfista sabe que uma boa sessão de surf é capaz de transformar qualquer humor e descongelar qualquer coração amargurado. É difícil descrever, mas dá pra tentar chamar sim de alegria. O sentimento vem tentando ser descrito ao longo dos anos e já chegou-se muito perto de chamar o surf de religião pelo temor, devoção e incompreensão envolvidos com a relação intensa com a natureza.

Não podemos afirmar e nem comprovar nada, mas podemos flertar com essa teoria neurológica e usá-la como mais um motivo para deixar a preguiça de lado, treinar com afinco e cair no mar sempre que possível, quer seja para remar, treinar o drop ou ganhar confiança naquela manobra mais desafiadora.

Que o mar tem um poder e deve ser respeitado, é algo absolutamente óbvio. Agora, se ele é capaz de transcender, modificar ou contribuir de alguma forma para o nosso bem, deixamos para vocês a resposta. O surf é um esporte individual e sua beleza também está na relação peculiar de cada um com a natureza – seja se sentindo parte, se enxergando como uma extensão ou como um possível responsável por ela. Que seja, acima de tudo, individual e seu – mesmo que não caiba em palavras, explicar o que isso significa.

Nós gostamos de acreditar que a natureza nos presenteia sempre com mares clássicos e visuais que não poderiam ser descritos e por isso a atitude de gratidão e respeito se faz necessária. Leve com você sua religião, sua crença e apenas compartilhe as teorias que valorizam cada vez mais a sua paixão. O intuito não é convencer ninguém de que existe uma conexão real entre a natureza e a nossa mente. Deixaremos isso para o biólogo que mencionamos lá em cima desvendar.

Por Leonardo Maroja

(Fonte: The Inertia)